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O ‘silêncio’ da Sabesp

16/01/2026 | 09:55
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O nível de água no Sistema Cantareira caiu para 19,4% do volume útil, inserindo o principal manancial do Grande ABC em patamar crítico de armazenamento. A possibilidade de nova redução na captação, já discutida para fevereiro, indica impacto direto no abastecimento, ampliando períodos de baixa pressão atualmente fixados entre 19h e 5h. Mesmo diante desse quadro, marcado por retração acelerada em relação a janeiro do ano passado, a comunicação institucional da Sabesp permanece discreta. Falta orientação clara aos consumidores, capaz de traduzir números técnicos em práticas cotidianas de economia, especialmente em uma metrópole que já experimentou racionamentos severos.

A ausência de campanhas amplas de conscientização causa estranhamento. Em situações anteriores, alertas eram difundidos de modo contínuo pelos mais variados meios de comunicação, com peças educativas, entrevistas e avisos diretos à população. Hoje, apesar de reservatórios como Alto Tietê operarem próximos da faixa crítica e de análises mensais indicarem possível racionamento na distribuição de água, predomina o silêncio. Informação restrita a boletins técnicos não cumpre papel preventivo. Sem sensibilização coletiva, qualquer ajuste operacional tende a recair de forma desigual sobre bairros e cidades, agravando tensões sociais evitáveis quando existe diálogo transparente.

Espera-se, portanto, uma mudança de postura por parte da empresa. A sociedade confia que a falta de investimento em campanhas educativas não esteja relacionada a interesses financeiros de uma companhia recentemente privatizada, cuja lógica empresarial não pode se sobrepor ao direito básico ao acesso regular à água. No passado, sob controle estatal, a Sabesp adotava comunicação mais direta em momentos semelhantes, reconhecendo que dividir responsabilidades fortalece soluções. Em cenário de risco, informar não representa alarme, mas compromisso público. O enfrentamento da crise hídrica exige franqueza e escolhas que coloquem o interesse coletivo acima de balanços contábeis.

DGABC

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