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Consórcio articula implementação de Hospital Oncológico Infantil regional

Projeto tem como objetivo suprir demanda após encerramento dos trabalhos da Casa Ronald McDonald em Santo André

13/01/2026 | 02:19
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC está articulando a implementação de um Hospital Oncológico Infantil regional para suprir a demanda deixada pelo encerramento das atividades da Casa Ronald McDonald, em Santo André. A instituição, que oferecia suporte ao tratamento de oncologia infantil, encerrou os atendimentos no ano passado, após 17 anos de funcionamento. 

Segundo o secretário-executivo do Consórcio, Aroaldo Silva, a nova unidade deverá ser instalada na Santa Casa de São Bernardo, com o objetivo de oferecer tratamento oncológico pediátrico integral, humanizado e de excelência, para crianças e adolescentes do Grande ABC e demais localidades, dando suporte também às suas famílias. 

“Estamos pautando o tema já há algum tempo. O Rotary nos procurou devido à preocupação com a descon-tinuação da Casa Ronald McDonald no tratamento da oncologia infantil, dando suporte às famílias. Eles queriam dialogar porque estavam achando que os Estados Unidos iriam romper o convênio, e foi o que aconteceu”, afirmou.

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De acordo com Luiz Zacarias, diretor de Programas, Projetos e Banco de Dados da entidade, a demanda foi apresentada ao colegiado de prefeitos, que solicitou a inclusão da oncologia infantil entre as prioridades regionais da área da saúde. 

“Já tivemos várias reuniões. Inicialmente, pensamos em uma parceria com o Hospital Mário Covas, em Santo André, mas nos informaram que o hospital é diferenciado e que seria necessário ala exclusiva. Aí, o Rotary trouxe um pessoal da Santa Casa para uma reunião. Eles informaram que há uma área pronta, com autorização e tudo preparado para tocarmos o projeto lá”, explicou Luiz Zacarias.

Ainda segundo Aroaldo, a proposta está em estágio avançado e deverá ser apresentada na próxima assembleia de prefeitos do Consórcio, prevista para a segunda quinzena deste mês. O projeto conta com o apoio de diversas organizações, entre elas os sindicatos dos Comerciários e dos Engenheiros, além do Rotary, que lidera as discussões sobre a imple-mentação do hospital.

O secretário-executivo destacou que a saúde será uma das prioridades do Consórcio em 2026. Nesse contexto, está previsto o lançamento do programa Grande ABC + Saúde, inspirado no Grande ABC + Seguro, iniciativa que se tornou referência de integração entre as sete cidades da região. 

“Já faz um tempo que estamos formatando um programa regional de saúde. Temos conversado com os secretários municipais de Saúde para levantar as demandas que estão reprimidas nos municípios, como exames, cirurgias eletivas e atendimentos em especialidades. A partir disso, começamos a discutir internamente o que é possível oferecer e organizar, considerando também o debate que já existe com o governo do Estado sobre a Cross regional (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde). A ideia é, a partir das demandas dos municípios, tentar construir algo articulado, casado, dentro da própria região”, disse Aroaldo. Dentro desse conjunto de discussões, também está em pauta a criação de um hospital regional de referência no atendimento a pacientes vítimas de queimaduras. 

O próximo passo para a viabilização do Hospital Oncológico Infantil regional será a busca por recursos para garantir a manutenção do projeto. As discussões envolvem desde a forma de equipar o hospital até a definição de um modelo sustentável de financiamento e custeio, orçado em R$ 5.080.000 mensais. 

Conforme o pré-projeto, o Grande ABC e a Baixada Santista apresentam demanda estimada de aproximadamente 200 novos casos de câncer infantojuvenil por ano. A meta é implementar o hospital, com previsão inicial de 50 leitos – sendo 10 de UTI –, em fases. “A ativação dos serviços gradual. Começando pelo ambulatório e diagnóstico, depois internação e, por último, UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e centro cirúrgico”, detalha o pré-projeto. 

A unidade é projetada para contar com Pronto Atendimento exclusivo para oncologia 24h; ambulatório de quimioterapia, com poltronas confortáveis e espaço para acompanhante; duas salas de centro cirúrgico para procedimentos de porte médio e grande; diagnóstico por imagem, com raio-x, ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância magnética (possivelmente terceirizada inicialmente); laboratório de patologia e análises clínicas focado em hematologia e bioquímica complexa; e farmácia, com sala para manipulação de quimioterápicos.

O modelo de financiamento é misto, por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), convênios privados, doações, e campanhas de financiamento coletivo. “Não é só a infraestrutura. É sobre como equipar, financiar e custear (o equipamento). O pré-projeto já traz a previsão de custeio e como podemos buscar os recursos, nos moldes de hospitais oncológicos que já existem. Além da verba do SUS, também é necessário contar com financiamentos”, concluiu Aroaldo. 

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