Disque 100 Das 8.382 queixas notificadas no ano passado, mais da metade, 51%, foram contra crianças e adolescentes; idosos representam 25%
FOTO: Denis Maciel/DGABC

O Grande ABC registrou, em 2025, uma média de 23 denúncias diárias de violações de direitos humanos. No total, foram contabilizadas 8.382 queixas na região, segundo dados do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. No mesmo período, o Brasil notificou 644 mil denúncias, enquanto em São Paulo o número chegou a 174 mil.
A plataforma computa denúncias que ferem aspectos como liberdade, integridade física, igualdade, entre outros. O advogado e presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Bernardo, Ariel de Castro Alves, explicou que esses números representam uma sociedade com violência epidêmica nos âmbitos doméstico e comunitário.
Apesar de serem expressivas para o especialista, as denúncias tiveram uma diminuição de 12% em comparação a 2024. No ano anterior, foram 9.530 relatos de violações, segundo o Disque 100.
Para o especialista, essa queda é algo tímido e eventual. “Acaba sendo decorrente da divulgação do Disque 100. Existe uma consciência sobre os direitos na sociedade brasileira e na região. Mas as diminuições são esporádicas, infelizmente, já que o quadro é de violência institucionalizada”, comentou Alves.
A maior parte das denúncias registradas no ano passado envolveu violações de direitos contra crianças e adolescentes. Ao todo, foram 4.349 queixas relacionadas a esse público na região, o que representa 52% de todos os registros de violações de direitos humanos no Grande ABC.
Alves explicou que essa porcentagem mostra a falta de políticas públicas nos municípios. “São números bastante expressivos e demonstram que as cidades da região precisam aprimorar programas e serviços voltados às crianças e adolescentes. Um exemplo é que o Grande ABC não possui nenhuma delegacia especializada na proteção delas”, comentou o advogado.
Ainda de acordo com ele, as violações contra esse grupo ocorrem principalmente nas residências, por meio de situações de maus-tratos, negligência e abusos sexuais. Nas 4.349 notificações, 3.831 foram relacionadas à violência física contra criança ou adolescente.
“As crianças vítimas de violência ou as testemunhas devem contar com programas de escuta protegida por profissionais especializados da psicologia e serviço social, além de delegacias e varas judiciais. Não adianta termos denúncias e não termos apurações adequadas”, acrescentou o especialista.

OUTROS GRUPOS
O número de queixas de violações contra idosos também mostrou-se alarmante. No ano passado, foram 2.142 denúncias desse público, representando 25% do total contabilizado no ano passado na região. A advogada e especialista em direito das famílias, Loiane Lopes, ressaltou que as pessoas com mais de 60 anos são consideradas vítimas fáceis e por isso todos os anos o número de violações desse grupo está no topo da lista.
“Justamente pela vulnerabilidade, estão mais expostos a esse tipo de violência. Infelizmente, assim como as crianças, os próprios familiares ou pessoas do convívio são os potenciais agressores. As principais queixas estão relacionadas à negligência, em especial os riscos da exposição com relação ao abandono da saúde. Também tem a questão dos maus-tratos físicos e da falta de recursos e o uso indevido dos benefícios desses idosos”, comentou a advogada.Além desses públicos, o Grande ABC registrou denúncias envolvendo pessoas com deficiência (1.520), cidadãos e família (1.019), mulheres (872), privadas de liberdade (245), LGBTQIA+ (87) e a população em situação de rua (47).
Para Loiane, o Disque 100 representa o ‘Pronto Socorro dos Direitos Humanos’. “É uma ferramenta anônima, está protegida pelo sigilo. É algo para justiça social e ser divulgado para que as pessoas se encorajam a usar, porque várias vidas podem ser salvas através desse canal de denúncia”, completou
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