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Denúncias de golpes financeiros contra idosos crescem 108% em 3 anos no Grande ABC

Foram 440 ocorrências de janeiro a outubro de 2025 ante 211 em 2022; em 57% dos casos, os filhos são os suspeitos

08/11/2025 | 08:59
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FOTO: André Henriques | DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O número de registros de violações patrimoniais contra idosos cresceu 108% no Grande ABC em três anos, saltando de 211 de janeiro a outubro de 2022 para 440 no mesmo período deste ano. Os dados são do Disque 100, canal de denúncias do governo federal. 

As vítimas com mais de 60 anos representam 61,2% do total de notificações (718) em 2025. Mulheres são maioria (68,6%), assim como idosos de 70 a 79 anos.

A aposentada de Santo André Aparecida Olivastro, 79 anos, disse que em março de 2024, perdeu R$ 25 mil, valor posteriormente recuperado. “Um homem me ligou se passando pelo gerente do banco. Ele fez várias perguntas e conseguiu me segurar por quatro horas na ligação. Primeiro ele ligou no celular e depois me convenceu a continuar conversando com ele quando cheguei em casa pelo telefone fixo”, conta.

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A idosa disse que seu marido ainda tentou alertá-la de que podia se tratar de um golpe, mas o discurso foi tão convincente que ela continuou na ligação. “Depois de desligar, fui à minha agência e descobri que o moço que estaria me ligando estava de férias. Aí fui à delegacia, fiz o boletim de ocorrência e o dinheiro já tinha saído da conta”, relata. “Mas o banco me indenizou depois”, acrescenta. 

O advogado e professor de Direito Processual Penal Luiz Antonio Nunes Filho diz que a pena branda para estelionato, de um a cinco anos, incentiva a prática criminosa. “As penas são muito pequenas, geralmente o estelionatário não cumpre em regime fechado, e acaba trazendo a percepção de que o crime compensa. Eles arruínam a vida da pessoa e não acontece nada”, avalia. 

Nunes destaca que os idosos são os principais alvos por serem mais vulneráveis e exemplifica as principais táticas. “A sociedade da informação trouxe golpes mais elaborados. Alguns mais comuns são das falsas centrais que enviam links de bancos, alegando que a conta foi clonada ou que precisa retirar o cartão. Com os dados, os criminosos realizam empréstimos e fazem transferências por Pix”, afirma o especialista. 

PARENTES

Um dado que se destaca é que 57,5% (253) das violações foram cometidas pelos próprios filhos. Em apenas 7,3% (32) das denúncias de violações patrimoniais, o suspeito era uma pessoa desconhecida. Já em 76,8% (338) dos casos, os responsáveis eram parentes da vítima — grupo que inclui filhos, outros familiares como pais, irmãos, genros e noras, além de companheiros.

A aposentada Wilma Maria de Moraes, 69, foi enganada por seu ex-marido há sete anos. “Quando nos casamos, ele começou a trabalhar menos, e cada vez menos. Um dia, sofreu um acidente doméstico e permaneceu cinco meses de repouso. Infelizmente, agiu de má-fé e fez empréstimos bancários em meu nome e foi morar com a amante. Fui vítima de violência doméstica, psicológica e patrimonial”, descreve.

A psicóloga Michele Silveira ressalta que a confiança torna o idoso emocionalmente mais vulnerável, especialmente quando o vínculo afetivo é explorado distorcidamente. 

“O que deveria proteger, acaba servindo de brecha para o abuso quando o outro age movido por interesse, não por cuidado. Os números revelam não apenas um dado estatístico, mas um sintoma social: a fragilidade dos vínculos familiares e a dificuldade de muitos em reconhecer o valor e a dignidade da pessoa idosa”, avalia.

A denúncia nesses casos, de acordo com a especialista, envolve uma dor dupla, da violência sofrida e a da culpa em admitir que foi enganada por alguém próximo. “É muito comum que o idoso sinta medo, vergonha e até esperança de que a situação melhore sem precisar expor o familiar. Há também o receio de rompimento afetivo e a sensação de desamparo”, explica.




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