Editorial A interrupção das atividades da Casa Ronald McDonald em Santo André encerrou um ciclo de 17 anos de acolhimento a famílias que buscavam tratamento contra o câncer infantil fora de suas cidades. O fechamento, noticiado em detalhes pelo Diário, expôs lacuna regional: crianças do Grande ABC seguem atendidas em endereços diversos, sobretudo na Capital, exigindo deslocamentos frequentes, custos indiretos e reorganização cotidiana de pais e responsáveis. O abrigo oferecia retaguarda material e logística diante de cenário fragmentado. Sem ele, o percurso terapêutico se tornou mais oneroso e descontinuado, com impacto direto sobre quem já enfrenta rotinas de consultas, internações e exames.
Esse quadro desafiador reforça a necessidade de resposta institucional articulada. As sete cidades, reunidas no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, dispõem de instrumento político poderosíssimo para planejar e executar ações conjuntas na área da saúde. Como a construção de hospital oncoló-gico infantil e gratuito na região. Financiada prioritariamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) a unidade reduziria deslocamentos, integraria equipes, centralizaria protocolos e aproximaria famílias da rede de apoio local. Relatos de pacientes vindos de outras regiões do País demonstram que a ausência de estrutura regional transfere ao indivíduo um ônus que deveria ser compartilhado pelo poder público.
O debate em torno dos cuidados às crianças com câncer não pode se restringir às razões do fechamento da Casa Ronald McDonald, ainda pouco esclarecidas. O episódio deve servir como ponto de partida para que se constitua agenda regional permanente destinada a preencher a lacuna que torna ainda mais penosa a luta contra uma das mais cruéis doenças. Um equipamento hospitalar referência em oncopediatria no Grande ABC poderia ser aliado de primeira hora a quem enfrenta a batalha. Cabe aos sete prefeitos, com apoio do Estado e da União, transformar a perda de serviço de acolhimento em impulso a uma política estruturante capaz de oferecer tratamento contínuo e humanizado.
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