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Famílias da Casa Ronald McDonald dizem não ter mesmo atendimento

Encerrada há sete meses, unidade em Santo André que acolhia crianças com câncer transfere abrigados para outros locais; instituição não explica desativação do serviço

09/01/2026 | 07:00
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Famílias abrigadas pela Casa Ronald McDonald, unidade de Santo André, lamentam o fechamento do local há sete meses e dizem não ter encontrado a mesma qualidade de atendimento em outras instituições, além de nunca terem recebido explicação para o encerramento após 17 anos de funcionamento.

A dona de casa Dulcineia Santos, 30 anos, e seu filho Kauan da Silva, 11, que possui leucemia, moraram na instituição de novembro de 2024 a junho de 2025, quando o local foi fechado. De Macapá, capital do Amapá, vieram para São Paulo em busca de tratamento no Hospital Infantil Darcy Vargas, na Capital, já que na cidade amapaense não há atendimento público de oncopediatra.

“O próprio Estado nos recomendou ficar na Casa Ronald McDonald, que nos ajudou muito. A estadia foi ótima. Em junho nos mandaram sair, ficamos uns dias em um hotel pago pela instituição e agora estamos na Casa Hope, em Higienópolis (bairro da Capital), que nos abrigou, mas não é a mesma coisa. Na instituição do Grande ABC, tínhamos alimentação, itens de higiene e todo o suporte necessário. Era a melhor que existia”, conta Dulcineia, que está retornando hoje com o filho, que recebeu alta, para o Amapá. 

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O motorista de Caruaru, em Pernambuco, Elias dos Santos, 57, chegou em São Paulo no início de 2023 com sua esposa e dois filhos, os quais prefere não identificar, para que sua filha de 12 anos, que tinha leucemia, pudesse realizar um transplante de medula óssea.

A família morou na Casa Ronald McDonald do Grande ABC por sete meses, quando a menina se recuperou e puderam retornar para o Nordeste. No entanto, ela teve outras complicações de saúde e precisou residir novamente no Estado. Dessa vez, permaneceram por um ano e sete meses no abrigo de Santo André.

O tratamento feito no Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e a Criança com Câncer) e no Hospital São Paulo, ambos na Capital, avançou, porém, em 6 de junho do ano passado, tiveram que sair às pressas da Casa. “Fomos praticamente despejados. Cheguei do hospital na quinta-feira, no dia 5 de junho, e vi as mães chorando desesperadas porque teríamos que ir embora no dia seguinte. Falaram que seria apenas uma reforma, que ficaríamos em hotel e depois retornaríamos, o que nunca ocorreu nem explicaram o porquê. Lá era a melhor casa entre todas as pelas quais passamos”, disse Santos.

A família está, no momento, em uma residência de amigos, localizada em São Bernardo, pois a instituição para a qual foram transferidos não aceitava a presença do pai. Elias dos Santos lamenta o fechamento da unidade de Santo André da Casa Ronald McDonald e questiona as motivações por trás de seu fechamento repentino. 

“O que percebi é que eles estavam passando por dificuldades financeiras, pois a comida, a comida, que antes era de boa qualidade, deixou de ser. Também deixaram de acontecer as festas e comemorações especiais, como no Natal e na Páscoa, sempre com brincadeiras, atividades e até a presença de artistas. Até os funcionários pareciam tristes e dava para perceber que estava acontecendo algo”, contou.

O motorista disse que dias antes do encerramento das atividades receberam a visita de uma equipe do Instituto Ronald McDonald. “Vieram alguns americanos e eles disseram que não queriam mais o nome da instituição associado ao local, pois havia tido algum problema de desvio financeiro”, denuncia Santos.

A Casa era administrada pelo Rotary Club de Santo André, que não respondeu às mensagens e ligações do Diário até o fechamento desta edição. O Instituto Ronald McDonald informou que o fechamento ocorreu oficialmente em 10 de novembro e, quanto ao motivo do encerramento das atividades, que “em respeito às boas práticas de governança, esses temas não são objeto de divulgação pública”.

ACOLHIMENTO

A Casa Ronald McDonald está no Brasil desde 1994 e oferece abrigo e apoio a crianças e adolescentes com câncer e suas respectivas famílias. Somente na unidade de Santo André, abrigou aproximadamente 2.500 famílias desde sua abertura, em 2007. No momento do fechamento, o local mantinha 16 grupos familiares, 12 em tratamento que precisaram ser transferidos e quatro que haviam recebido alta, de acordo com o Instituto Ronald McDonald.

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