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Região registra alta de queixas de intolerância religiosa em 2025

Disque 100 contabiliza 35 denúncias no ano passado, ante 33 em 2024 ; hoje é celebrado o Dia Nacional da Liberdade de Cultos

07/01/2026 | 07:00
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Mãe Fran de São Bernardo fala sobre intolerância religiosa FOTO: Arquivo Pessoal
Mãe Fran de São Bernardo fala sobre intolerância religiosa FOTO: Arquivo Pessoal Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC registrou um aumento de 6% no número de denúncias envolvendo intolerância religiosa em 2025. De janeiro até 25 de dezembro do ano passado, foram 35 ocorrências, ante 33 no mesmo período de 2024. As estatísticas são do Painel de Dados do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e consideram as últimas datas disponíveis.

Com o objetivo de promover maior respeito a todas as crenças, hoje é celebrado o Dia Nacional da Liberdade de Cultos. A data foi criada em referência a um decreto publicado no dia 7 de janeiro de 1890 pelo Marechal Deodoro da Fonseca, que garantiu direitos a todas as religiões no Brasil.

O doutor e mestre em Ciências da Religião pela Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), Marco Brito, disse que esse aumento é derivado das pessoas reconhecerem seus direitos. “Pode ser explicado de algumas formas. Entre elas, é um maior acesso aos canais de denúncias. Além disso, o atual contexto social, causado por tensões e polarizações, contribui para maiores conflitos no espaço público, inclusive de natureza religiosa. Isso não significa que a sociedade está mais intolerante, mas sim que situações antes silenciadas passaram a ser registradas”, afirmou o especialista.

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Ainda de acordo com Brito, as religiões de matrizes africanas são as que mais sofrem com desrespeito. “Isso é evidente. Por razões históricas e culturais. Durante o período colonial, as religiões de matrizes africanas foram inferiorizadas e associadas a coisas ruins. Outros discursos religiosos ajudaram a legitimar a escravidão”, disse Brito.

Em 2025, foram nove registros de vítimas que seguem a umbanda, sendo dois em Santo André e sete em São Bernardo. Além disso, uma pessoa que segue o catolicismo também registrou denúncia no período. Os outros casos não informaram a religião.

A moradora de São Bernardo, Francisca Pereira, conhecida como Mãe Fran, possui uma casa de candomblé no bairro Jardim Telma. Ela comentou que já foi alvo de reclamações por conta de sua crença e já enfrentou episódios de truculência policial. 

“Já fui denunciada por conta dos atos festivos religiosos, em algumas vezes até me ameaçaram levar presa. A última vez vieram com perturbação de sossego, mas resisto no mesmo lugar há sete anos. Por mais que falássemos que eram atos religiosos, eles (os agentes de segurança) não queriam ouvir”, comentou a Mãe Fran. Ela ainda comentou que o vereador Netinho Rodrigues (Podemos) ajudou na retomada dos atos.

Ainda de acordo com a líder religiosa, seu maior desejo é poder realizar a crença sem medo de represálias por parte da população que não entende seus cultos. “Que as leis nos libertem dessas amarras religiosas, tais como foram na escravidão”, concluiu.

A cantora e participante de cultos no centro de São Bernardo, Ekedji Joice, também falou sobre o desrespeito com sua crença. "A intolerância religiosa nasce quando esquecemos que antes de qualquer crença somos seres humanos. Quando alguém é julgado, ofendido ou atacado por causa de sua fé, não é a religião que está sendo ferida, é dignidade da pessoa. Cada religião é para quem acredita em um caminho de fé, esperança e sentido para a vida. Nenhum desses caminhos deveria ser motivo de ódio ou violência", comentou Ekedji Joice

A cantora Ekedji Joice percorre o Brasil inteiro com suas apresentações FOTO: Andrea Ribeiro (Layó Fotografia)

O especialista Marco Brito explicou que a liberdade de cultos está protegida pelo legislativo, visto que a Constituição Federal de 1988 assegura a permissão de crenças. Além disso, há também tratados internacionais que o Brasil aderiu sobre os direitos humanos envolvendo religiosidade.

Para ele, o conceito de intolerância religiosa passa por hostilidade. “Ocorre quando há discriminação ou impedimento do exercício da fé. Ela pode se manifestar por ofensas, constrangimentos, perseguições e ataques, se diferenciando da crítica”, completou o mestre.

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