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Moradores do Capelinha ainda sofrem com falta de água em São Bernardo

Promessas da Sabesp previam regularização em janeiro e dezembro de 2025; usuária relata período de três semanas sem abastecimento

06/01/2026 | 21:19
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Moradora tem que pegar água do poço para abastecer casa FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
Moradora tem que pegar água do poço para abastecer casa FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Após inúmeras promessas de melhorar a infraestrutura e o abastecimento do Capelinha, bairro do Riacho Grande, em São Bernardo, os moradores do local continuam sofrendo com desabastecimento de água. Há alguns anos, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) concluiu obras de urbanização, integrando o fornecimento ao sistema da comunidade Cocaia. Contudo, o aumento da população fez com que a capacidade se tornasse insuficiente.

Em 2024, a empresa perfurou um poço, próximo à Rua Pedro José de Carvalho, na parte baixa do bairro, visando instalar uma nova estrutura. Segundo relato do líder comunitário do Capelinha, Gilcimar Almeida Campos, 42 anos, estava previsto para o local um sistema que iria bombear água até a estação de tratamento mais próxima.

Desde então, o Diário tem acompanhado a situação dos moradores. Inicialmente, a conclusão da obra estava prevista para janeiro de 2025, mas o prazo foi posteriormente prorrogado para dezembro do mesmo ano. Como a obra não foi finalizada em nenhuma das datas, a companhia deixou de apresentar uma nova previsão.

DGABC

Campos relatou ainda desperdício de água com o poço aberto. “Já estamos há um ano. Esse poço tem cerca de 250 metros de profundidade e uma vazão superior a 500 mil litros de água por dia, que são despejados diretamente na mata. Em média, o pessoal do bairro chega a ficar quatro dias sem água”, disse o líder. Segundo ele, a região contempla aproximadamente 1.043 famílias.

Em nota, a companhia lamentou o ocorrido, mas não indicou um novo prazo para entrega das intervenções. “A Sabesp pede desculpas pelos transtornos causados e aguarda a liberação dos órgãos competentes para execução da obra de infraestrutura que irá conectar o novo poço artesiano ao sistema de distribuição do local, de modo a ampliar a oferta de água. Até a conclusão das obras, são realizados todos os esforços necessários para garantir o abastecimento em todo o bairro diariamente, como o envio de caminhões-tanque e a execução de manobras estratégicas”, comunicou.

Em contrapartida, a comunidade denunciou falta de comprometimento da empresa. “Não tomou providência de retomar a obra. Temos muitas pessoas acamadas que, por isso, têm que tomar banho de lenço. É um descaso total com a população. Na parte alta, muitas pessoas têm que descer até o poço para pegar a água. Mandam um ou dois caminhões, mas não são suficientes para abastecer todas as casas”, conclui Campos.

MORADORES

A dona de casa Cristiane Manoel, 52, relatou que a ocorrência é um descaso com todos. “Isso acontece há bastante tempo. Para lavar roupa, fico esperando a máquina encher, mas muitas vezes a água não vem. O caminhão está sempre no Cocaia, mas aqui não. E sem falar na qualidade da água, meus vizinhos relataram que a água na caixa estava com cheiro de esgoto”, comentou.

A doméstica Evanda Dantas, 52, disse que já ficou três semanas sem água. Para suprir a necessidade, a moradora tem que descer todo o bairro para pegar o recurso com balde. “A gente fica assim, pega água no poço para fazer as coisas. Só promessas e não tem nada de avanço. Moro aqui há cinco anos e tem dia que tenho que comprar água para cozinhar”, relatou Evanda.

DENÚNCIA AO MP

O vereador de São Bernardo, Lucas Ferreira (PL), protocolou uma denúncia no MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) sobre a situação. “É um constrangimento que a Sabesp faz com os moradores e uma falta de humanidade. O próximo passo é protocolar uma nova denúncia ao MP, não é juridicamente legal o que estão fazendo. Se comprometeram a entregar a obra em uma data, passou e não soltaram uma retratação”, disse.

Em resposta à denúncia, a companhia afirmou que as dificuldades decorrem do crescimento populacional do bairro.

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