Conhecimento Exemplares estão distribuídos entre as 35 unidades das prefeituras e podem ser consultados pela população
André Henriques/DGABC

O Grande ABC reúne uma rede de bibliotecas públicas que somam mais de 390 mil livros físicos, distribuídos em 35 unidades mantidas pelas prefeituras da região. Além do acervo físico, os municípios investem em bibliotecas digitais, projetos de mediação de leitura e atividades culturais que ampliam o papel desses espaços para muito além do empréstimo de livros.
Com oito bibliotecas públicas, São Bernardo concentra o maior acervo da região, com 138 mil exemplares. Segundo a Prefeitura, o município retomou ações de valorização da leitura, como a inauguração da sede própria da Gibiteca Municipal e a reabertura da Biblioteca Manoel Bandeira, no bairro Baeta Neves, além de rodas de leitura, encontros com autores e oficinas formativas.
A diversidade também marca a estrutura de Diadema, que mantém sete bibliotecas públicas e duas salas de leitura espalhadas pelos bairros. O acervo local soma 53.158 títulos. Para incentivar o hábito da leitura, o município promove ações como a Flid (Feira Literária de Diadema), além de projetos permanentes em bibliotecas, escolas e espaços públicos, com contações de histórias e mediações de leitura.
Em Santo André, a rede municipal é formada por 12 bibliotecas, incluindo a biblioteca digital, com aproximadamente 100 mil itens disponíveis. As unidades desenvolvem projetos contínuos, como o Domingo é Dia de Biblioteca, que abre a Biblioteca Nair Lacerda aos domingos, além de iniciativas voltadas à inclusão e acessibilidade, como apresentações de livros em braille e atividades culturais mensais.
À frente da gestão das bibliotecas andreenses, a gerente Viviane Gomes da Rocha, formada em Biblioteconomia, avalia que o papel das bibliotecas mudou ao longo dos anos. “Tentamos quebrar a ideia de que a biblioteca é só um lugar de estudo. Ela também é um espaço de lazer, de interação, de saúde mental, onde a pessoa pode ler por prazer, se desconectar da rotina e conviver com outras pessoas”, afirma. Para ela, o desafio atual é mostrar que esses espaços seguem vivos. “A biblioteca fecha a porta física, mas continua funcionando. A biblioteca digital tem um volume alto de acessos, é um trabalho que muitas vezes não aparece, mas está lá”, explica.
Na mesma linha, Marta Guedes, encarregada da Biblioteca Nair Lacerda, em Santo André, destaca a pluralidade do público atendido. “Aqui recebemos crianças, jovens, adultos e idosos. É muito diferente da biblioteca universitária, por exemplo, onde o público é mais restrito. Hoje a biblioteca não é só livro, é atividade cultural, é convivência”, diz.
Segundo a bibliotecária, a maior procura atualmente é por literatura. “O público busca novidade, literatura brasileira, estrangeira, infantil e juvenil. Livro técnico quase não sai”, relata. Marta também ressalta a importância da abertura aos domingos. “As famílias vêm juntas, as crianças participam das contações de histórias. Isso trouxe uma dinâmica diferente para a biblioteca.”
Em São Caetano, duas bibliotecas municipais, Paul Harris e Esther Mesquita, concentram 53 mil exemplares. Além do empréstimo de livros, as unidades oferecem atividades culturais regulares, como saraus, oficinas, encontros com escritores e exposições, além de acesso gratuito à internet e equipamentos eletrônicos.
Já em Mauá, são quatro bibliotecas públicas em funcionamento, com acervo de cerca de 20 mil livros. O atendimento mensal varia entre 500 e 700 usuários, considerando todas as unidades, incluindo uma biblioteca instalada dentro do Hospital de Clínicas Radamés Nardini, que amplia o acesso à leitura em um ambiente de saúde.
A estrutura regional inclui ainda Ribeirão Pires, onde a Biblioteca Municipal Olavo Bilac reúne 20 mil títulos físicos, além de um catálogo digital com obras entre e-books e audiobooks. Em 2025, o espaço integrou a programação estadual da Viagem Literária, com atividades voltadas à literatura afro-brasileira. Rio Grande da Serra, por sua vez, mantém uma biblioteca pública municipal com 6.720 livros.
Frequentador assíduo de bibliotecas, o historiador e leitor Marcílio Duarte, 46 anos, morador de Ribeirão Pires, avalia que esses espaços seguem essenciais, mesmo diante das transformações tecnológicas. “As bibliotecas não vão desaparecer. Elas vão ser repensadas, reformuladas, mas o livro físico continua sendo um transmissor fundamental de conhecimento”, afirma.
Para o historiador, o ambiente também faz diferença. “A biblioteca é um templo da leitura. Quando você entra, já começa um ritual, como entrar numa igreja. É o espaço ideal para ler com calma, dialogar com o livro e com o autor”, compara.
Marcílio destaca ainda o desafio de formar novos leitores em um contexto cada vez mais digital. “As casas já não têm mais estantes de livros, está tudo no celular. Perde-se a referência visual do livro. Por isso, bibliotecas e escolas têm um papel fundamental para criar esse vínculo desde cedo”, conclui.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.