Em dúvida Profissionais planejam trocar de profissão em caso de corte salarial; alunos dizem que quantidade de aulas não é suficiente para aprender
FOTO: Celso Luiz/DGABC

As novas mudanças para a obtenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) têm causado medo em instrutores, que admitem a possibilidade de demissão em massa com a desobrigatoriedade da participação das autoescolas no processo. Já os alunos, temem a segurança no trânsito e não se sentem 100% preparados para colocar a mão no volante. O Grande ABC possui 185 autoescolas, com média de 10 a 15 funcionários cada. Cortes de equipe podem afetar 3.000 pessoas.
A quantidade mínima de aulas práticas caiu de 20 horas-aula para duas horas-aula. O ensino teórico ocorre 100% on-line e de forma gratuita pelo aplicativo CNH do Brasil. Antes, eram exigidas 45 horas para realização desse curso. O candidato poderá escolher entre autoescolas, instrutores autônomos credenciados pelos Detrans (Departamentos Estaduais de Trânsito) ou preparações personalizadas. Segundo o Ministério dos Transportes, as medidas têm o objetivo de reduzir em até 80% o custo total da CNH no Brasil.
Agora, o processo não tem mais prazo para ser encerrado – antes, expirava em 12 meses. Outra novidade é a renovação automática e gratuita da carteira de motorista para ‘bons condutores’, ou seja, pessoas que não tiveram nenhum ponto de infração no ano anterior à renovação do documento.
A exceção são condutores a partir de 70 anos e para os que têm a validade do documento reduzida por recomendação médica (como em casos de Alzheimer). Além disso, motoristas com 50 anos ou mais poderão ter a renovação automática e gratuita apenas uma vez.
Morador do Jardim Alvorada, em Santo André, Marcelo Zamengo Antunes, 50, é instrutor há 25 anos e prevê redução de 80% no salário. “A gente está acostumado a seguir carga horária fixa de aula. Sem isso, nosso salário vai baixar muito. Agora, tem a possibilidade de o aluno procurar um profissional particular, credenciado pelo Detran. Isso prejudica ainda mais a gente.
Uma autoescola que tem seis instrutores, por exemplo, já vai cortar para dois profissionais: um para moto e outro para carro”, acredita.
Antunes afirma que tem cogitado mudar de profissão caso os prejuízos se tornem insustentáveis. “Eu não vou investir dinheiro para colocar duplo comando em um carro comum para conseguir dar aulas particulares. Não tenho nenhuma garantia de que vão procurar o serviço. Prefiro investir em um veículo para fazer entregas de e-commerce.”
O garçom Thiago Augusto, 19, morador do Guaraciaba, em Santo André, não vê essa medida com bons olhos. “Não é uma boa ideia ter menos aulas obrigatórias. Se uma pessoa entra no processo para tirar carteira de motorista sem saber nada, o que ela vai aprender em duas horas? Não vale a pena. A gente faz 20 horas e não se sente preparado. A única vantagem é que está mais barato. De resto, acho que vai ser um perigo.”
As sete cidades registraram 5.855 acidentes de trânsito, entre fatais (254) e não fatais (5.601), entre novembro de 2024 e outubro deste ano. As ocorrências geraram prejuízo estimado em R$ 620.234.285 aos cofres públicos. As mortes custaram R$ 212.106.895, média de R$ 835 mil por ocorrência. Já o restante (R$ 436.028.067) indicou R$ 77,8 mil por sinistro. Os dados são do InfoSiga, plataforma de monitoramento do Detran-SP.
Instrutor há 15 anos, Caio Vinicius de Siqueira, do Camilópolis, em Santo André, também considera que a carga horária exigida agora não é suficiente para capacitar alguém. “Vai ser necessário tomar mais cuidado com fraudes nos exames. Nós vamos ter que repensar nossa vida. Tentar que aprender uma nova profissão. Já tem gente que não sabe interpretar uma placa. Como vai garantir que ela entendeu o conteúdo? O trânsito ficará insustentável.”
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Processo agora custa R$ 498,77 em São Paulo, segundo Detran
O Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) informa que todo o processo para obter a CNH no Estado custará R$ 498,77. A primeira etapa, que é digital e gratuita, consiste em baixar o aplicativo CNH do Brasil e se cadastrar com a conta gov.br. Ao escolher o ‘requerimento da primeira habilitação’ e qual categoria deseja, o curso teórico já estará disponível.
Na segunda fase, a avaliação psicológica com profissional credenciado custa R$ 142,53, e o exame médico de aptidão física e mental, R$ 122,17. Depois da validação do curso teórico, o candidato pagará taxa de R$ 50,90, via Pix, para fazer a prova.
A terceira parte consiste na emissão da LADV (Licença de Aprendizagem de Direção Veicular) no aplicativo e na contabilização de duas horas de aulas práticas. A taxa do exame prático é de R$ 50. Após a realização e aprovação, a emissão da CNH custa R$ 133,17, via Pix. Depois, a carteira digital já estará disponível. O Detran-SP lançou uma página dedicada às mudanças na CNH. O portal (detran.sp.gov.br/cnhpaulista) traz um passo a passo sobre como funciona agora e detalhes sobre as cobranças.
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