Setecidades Titulo Após sete anos

Tribunal do Júri condena trio ligado ao PCC e envolvido na morte da PM Juliane, em 2018

Sentenças somam 60 anos; entre os acusados, está Everaldo Félix, apontado como um dos chefes da facção

Beatriz Mirelle
01/12/2025 | 17:04
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FOTOS: Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Sete anos depois do crime, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou por homicídio duplamente qualificado os três réus ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e envolvidos no caso da PM (Polícia Militar) Juliane Duarte, moradora de São Bernardo que foi sequestrada em um bar em Paraisópolis, na Zona Sul, e assassinada em 2018. Somadas, as penas passam de 60 anos. A família da vítima se diz aliviada com a decisão, mas afirma que esperava tempos maiores de reclusão devido à brutalidade do crime. 

Acusado de ser o mandante do crime, o traficante Everaldo Severino da Silva Félix, conhecido como Sem Fronteira, foi punido com 25 anos de prisão. Ele é apontado como um dos chefes da facção em Paraisópolis. Felipe Carlos Santos de Macedo, o Pururuca, recebeu pena de 23 anos. Considerado um dos executores, ele, que é indicado como membro do PCC, também foi condenado por organização criminosa. Já Felipe Oliveira da Silva, o Tirulipa, ficou com a menor pena, de nove anos, por ter escondido a moto que a vítima usou no dia do crime. 

As penas de homicídio dos três consideraram duas circunstâncias qualificadoras: recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima e crime cometido contra autoridade. Todos vão cumprir em regime fechado e já respondiam presos pelo crime. 

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A irmã da vítima, a pedagoga Fabiane dos Santos, 40 anos, declara que participar do julgamento foi como reabrir uma ferida. “Foi bem doloroso e cansativo não só por ver os réus, mas por presenciar tudo novamente. Durante as declarações da defesa deles, soubemos mais detalhes sobre o que fizeram com ela. Isso mexe com os nossos sentimentos, machuca. Soubemos que ela levou um tiro no bar e ainda ficou cinco dias viva sob a posse deles. Os criminosos amarraram os pés e mãos da minha irmã. Fizeram Juliane ingerir álcool e outras drogas para que ficasse quieta. No celular do Everaldo, foram encontradas fotos dela e do RG. É terrível saber tudo isso.”

A pedagoga explica que a família cogitou não participar das sessões. O júri, previsto inicialmente para outubro, ocorreu na quinta (27) e sexta-feira (28). A juíza responsável foi Fernanda Perez Jacomini. 

“Na primeira data (29 de outubro), fomos até o Fórum Criminal da Barra Funda, na Capital, e ficamos mais de duas horas esperando na calçada até sermos informadas de que tinha sido remarcado. Pensamos em não ir mais, mas foi importante ter a presença de amigos e familiares nesse momento decisivo.” 

Justiça adia júri popular de três réus por morte de PM Juliane em 2018

RELEMBRE O CASO

Juliane Duarte foi sequestrada em 1º de agosto de 2018. Segundo a irmã, a PM saiu do Grande ABC para visitar um casal de amigos na comunidade e, em determinado momento, foi com eles comprar bebidas em um local chamado Bar do Litrão, em Paraisópolis.

Testemunhas apontaram que, pouco tempo depois da agente chegar no estabelecimento, quatro criminosos encapuzados a abordaram. O corpo de Juliane foi localizado no dia 6 de agosto daquele ano, no porta-malas de um veículo, no bairro Campo Grande, a cerca de oito quilômetros do último local onde ela havia sido vista.

“Estamos mais tranquilos após a condenação, apesar de eu ter achado que foi pouco, ainda mais pela brutalidade. Minha irmã deixou um legado lindo. Ela era íntegra, maravilhosa. Com a repercussão do caso, conhecemos pessoas queridas que se comoveram com a nossa história e outras que nos procuraram para contar como ela era bondosa. Juliane honrou a farda que vestiu”, diz a irmã.




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