Mudanças O pacote é formado por um conjunto de 29 decisões que reforça compromissos em transição justa, financiamento da adaptação, gênero, comércio, tecnologia e ações voltadas à vida cotidiana das populações mais vulneráveis
FOTO: Rogério Cassimiro/ MMA

A COP30 terminou neste sábado (22) com um avanço considerado decisivo na agenda climática global. Após 13 dias de negociações intensas, os 195 países participantes aprovaram por consenso o Pacote de Belém, um conjunto de 29 decisões que reforça compromissos em transição justa, financiamento da adaptação, gênero, comércio, tecnologia e ações voltadas à vida cotidiana das populações mais vulneráveis.
A conferência, realizada na capital paraense, foi marcada por forte mobilização internacional e pela apresentação de 122 novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), além do lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa brasileira inédita que já nasce com mais de US$ 6,7 bilhões mobilizados.
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, destacou que o trabalho iniciado em Belém não se encerra com o fim do evento.
“Esse momento deve ser lembrado como o início de uma década de transformação”, afirmou, ressaltando que o espírito de cooperação deve seguir vivo nas ações de governos, empresas, comunidades e instituições.
A ministra Marina Silva também foi ovacionada na plenária final ao fazer um balanço dos resultados. Ela reconheceu que o consenso sobre um mapa global para abandonar combustíveis fósseis não foi alcançado, mas ressaltou a adesão de mais de 80 países à proposta e destacou importantes conquistas:
- reconhecimento ampliado do papel de povos indígenas e comunidades tradicionais;
- avanço da transição justa;
- apresentação de NDCs com metas de redução até 2035;
- lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Mauro Vieira classificaram a COP30 como “extraordinariamente bem-sucedida”. Entre os principais avanços apontados pelo Itamaraty estão:
- Reforço do multilateralismo climático, após anos de retrocessos;
- Triplicação dos recursos para adaptação, essenciais para países vulneráveis;
- Apoio concreto à transição justa, priorizando populações afetadas pela crise climática.
Lula também celebrou o impacto do evento para Belém e defendeu o avanço do debate sobre o fim dos combustíveis fósseis. “Todo mundo sabe que será inevitável”, disse o presidente.
O Pacote de Belém estabelece o compromisso de triplicar o financiamento global para adaptação até 2035 e reforça a obrigação de países desenvolvidos ampliarem o apoio a nações em desenvolvimento.
A conferência também aprovou:
- 59 indicadores voluntários para monitorar avanços na Meta Global de Adaptação;
- um mecanismo global de transição justa, colocando pessoas e equidade no centro das ações;
- novo Plano de Ação de Gênero, com mais recursos e apoio à liderança de mulheres indígenas, afrodescendentes e rurais.
A COP30 ficou marcada como a “COP da implementação”, com anúncios robustos:
- Lançamento da FINI, iniciativa que pretende destravar US$ 1 trilhão em projetos de adaptação nos próximos três anos;
- Apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Fundo Verde para o Clima a programas voltados à resiliência;
- Compromisso de US$ 1,4 bilhão da Fundação Gates para pequenos agricultores;
- Endosso ao Plano de Ação de Saúde de Belém, que recebeu US$ 300 milhões para fortalecer sistemas de saúde climática;
- Criação do Acelerador RAIZ para restaurar áreas agrícolas degradadas, inspirado em programas brasileiros;
- Avanços em soluções oceânicas, com 17 países aderindo ao Desafio Azul NDC.
Entre os maiores destaques, o Brasil apresentou o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre, mecanismo inovador de financiamento climático que remunera países que preservam florestas tropicais.
O modelo funciona como um fundo de investimento global, que recompensa a conservação com pagamentos de longo prazo e garante retorno financeiro aos investidores — criando uma nova economia baseada na floresta em pé.
A COP30 também se consolidou como uma das mais inclusivas já realizadas:
- mais de 900 representantes de povos indígenas participaram da Zona Azul;
- a Marcha Climática de Belém levou milhares de pessoas às ruas;
- o Balanço Ético Global foi lançado, reforçando princípios de dignidade e solidariedade intergeracional.
O Brasil segue na presidência da COP até novembro de 2026 e se comprometeu a manter o impulso iniciado em Belém, alinhando negociações e implementação prática.
A próxima edição será realizada na Austrália.
“Não há atalhos. A coragem para enfrentar a crise climática é resultado de esforço e persistência coletiva”, concluiu Marina Silva.
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