Nacional Titulo Mudanças

COP30 encerra em Belém com pacote histórico aprovado por 195 países

O pacote é formado por um conjunto de 29 decisões que reforça compromissos em transição justa, financiamento da adaptação, gênero, comércio, tecnologia e ações voltadas à vida cotidiana das populações mais vulneráveis

23/11/2025 | 13:30
Compartilhar notícia
FOTO: Rogério Cassimiro/ MMA
FOTO: Rogério Cassimiro/ MMA Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A COP30 terminou neste sábado (22) com um avanço considerado decisivo na agenda climática global. Após 13 dias de negociações intensas, os 195 países participantes aprovaram por consenso o Pacote de Belém, um conjunto de 29 decisões que reforça compromissos em transição justa, financiamento da adaptação, gênero, comércio, tecnologia e ações voltadas à vida cotidiana das populações mais vulneráveis.

A conferência, realizada na capital paraense, foi marcada por forte mobilização internacional e pela apresentação de 122 novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), além do lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa brasileira inédita que já nasce com mais de US$ 6,7 bilhões mobilizados.

“Início de uma década de mudança”

O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, destacou que o trabalho iniciado em Belém não se encerra com o fim do evento.

DGABC

“Esse momento deve ser lembrado como o início de uma década de transformação”, afirmou, ressaltando que o espírito de cooperação deve seguir vivo nas ações de governos, empresas, comunidades e instituições.

A ministra Marina Silva também foi ovacionada na plenária final ao fazer um balanço dos resultados. Ela reconheceu que o consenso sobre um mapa global para abandonar combustíveis fósseis não foi alcançado, mas ressaltou a adesão de mais de 80 países à proposta e destacou importantes conquistas:

- reconhecimento ampliado do papel de povos indígenas e comunidades tradicionais;

avanço da transição justa;

apresentação de NDCs com metas de redução até 2035;

lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre.

Brasil celebra vitórias diplomáticas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Mauro Vieira classificaram a COP30 como “extraordinariamente bem-sucedida”. Entre os principais avanços apontados pelo Itamaraty estão:

Reforço do multilateralismo climático, após anos de retrocessos;

Triplicação dos recursos para adaptação, essenciais para países vulneráveis;

Apoio concreto à transição justa, priorizando populações afetadas pela crise climática.

Lula também celebrou o impacto do evento para Belém e defendeu o avanço do debate sobre o fim dos combustíveis fósseis. “Todo mundo sabe que será inevitável”, disse o presidente.

Financiamento climático ganha força

O Pacote de Belém estabelece o compromisso de triplicar o financiamento global para adaptação até 2035 e reforça a obrigação de países desenvolvidos ampliarem o apoio a nações em desenvolvimento.

A conferência também aprovou:

59 indicadores voluntários para monitorar avanços na Meta Global de Adaptação;

um mecanismo global de transição justa, colocando pessoas e equidade no centro das ações;

novo Plano de Ação de Gênero, com mais recursos e apoio à liderança de mulheres indígenas, afrodescendentes e rurais.

Implementação no centro das decisões

A COP30 ficou marcada como a “COP da implementação”, com anúncios robustos:

Lançamento da FINI, iniciativa que pretende destravar US$ 1 trilhão em projetos de adaptação nos próximos três anos;

Apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Fundo Verde para o Clima a programas voltados à resiliência;

Compromisso de US$ 1,4 bilhão da Fundação Gates para pequenos agricultores;

Endosso ao Plano de Ação de Saúde de Belém, que recebeu US$ 300 milhões para fortalecer sistemas de saúde climática;

Criação do Acelerador RAIZ para restaurar áreas agrícolas degradadas, inspirado em programas brasileiros;

Avanços em soluções oceânicas, com 17 países aderindo ao Desafio Azul NDC.

Fundo Florestas Tropicais Para Sempre: novo marco global

Entre os maiores destaques, o Brasil apresentou o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre, mecanismo inovador de financiamento climático que remunera países que preservam florestas tropicais.

O modelo funciona como um fundo de investimento global, que recompensa a conservação com pagamentos de longo prazo e garante retorno financeiro aos investidores — criando uma nova economia baseada na floresta em pé.

Participação social e justiça climática

A COP30 também se consolidou como uma das mais inclusivas já realizadas:

mais de 900 representantes de povos indígenas participaram da Zona Azul;

a Marcha Climática de Belém levou milhares de pessoas às ruas;

o Balanço Ético Global foi lançado, reforçando princípios de dignidade e solidariedade intergeracional.

O que vem pela frente

O Brasil segue na presidência da COP até novembro de 2026 e se comprometeu a manter o impulso iniciado em Belém, alinhando negociações e implementação prática.

A próxima edição será realizada na Austrália.

“Não há atalhos. A coragem para enfrentar a crise climática é resultado de esforço e persistência coletiva”, concluiu Marina Silva.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;