Caso similar A Vila Pires foi o alvo do impacto da detonação da loja Pipas e Cia, ocorrida há 16 anos
FOTO: Ricardo Trida | DGABC (Arquivo)

A explosão que atingiu uma casa usada como depósito irregular de fogos de artifício no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, na noite desta quinta-feira (13), reacendeu lembranças de um dos casos mais marcantes envolvendo esse tipo de material no Grande ABC. A Vila Pires, em Santo André, foi o alvo do impacto da detonação da loja Pipas e Cia, ocorrida há 16 anos.
Em 24 de setembro de 2009, por volta das 12h30, o bazar explodiu enquanto o proprietário realizava reparos na antena do telhado. A queda da estrutura nos fios elétricos teria provocado um curto-circuito que rapidamente atingiu os fogos armazenados no local. Duas pessoas morreram, outras 12 ficaram feridas, 15 carros foram destruídos e cerca de 30 imóveis sofreram danos, alguns a mais de um quilômetro de distância. Cinco casas chegaram a ter a estrutura comprometida e precisaram ser reconstruídas, obrigando famílias a deixarem suas residências.
Os relatos colhidos nos meses seguintes pela equipe do Diário revelaram um bairro traumatizado. Na época, muitos moradores afirmaram que nunca mais conseguiram olhar da mesma forma para o terreno onde funcionava o bazar. O local, que permaneceu vazio, virou depósito de entulho e chegou a abrigar pessoas em situação de rua, aumentando a sensação de insegurança. Alguns vizinhos relataram à reportagem da jornalista Michelly Cyrillo que enfrentaram problemas de saúde desencadeados pelo estresse da explosão, como crises nervosas, perda de memória e agravamento de doenças pré-existentes.
O caso também levantou debates sobre fiscalização. O AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) da loja venceu junho daquele ano. Dias após a tragédia, a Polícia Civil apreendeu toneladas de fogos em depósitos ligados ao proprietário, Sandro Luiz Castellani, inclusive em uma funilaria do cunhado e em um haras em Suzano.
A lembrança desse episódio voltou com força após a explosão no Tatuapé, que deixou um morto, dez feridos e ao menos 21 casas interditadas. O acidente ocorreu por volta das 19h50 desta quinta-feira (13), em uma residência na Rua Francisco Bueno, usada ilegalmente para armazenar fogos de artifício. Imagens de câmeras de segurança registraram fogos cruzando a Avenida Salim Farah Maluf enquanto veículos passavam pela via. A força da explosão foi tão grande que estruturas metálicas cederam e imóveis vizinhos ficaram destruídos ou comprometidos.
Equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência atuaram no combate ao incêndio e no resgate das vítimas. Durante o rescaldo, o Gate encontrou o corpo carbonizado de um homem, apontado pela Secretaria de Segurança Pública como o responsável pelo armazenamento irregular dos explosivos. A proprietária do imóvel e outras vítimas foram socorridas para hospitais da região.
A Defesa Civil interditou 21 casas devido ao risco estrutural, e os moradores foram encaminhados para residências de familiares. O caso foi registrado como explosão, crime ambiental e lesão corporal no 30º Distrito Policial do Tatuapé, que agora investiga as circunstâncias da tragédia.
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