Acidentes Óbitos passam de oito para 12; estrada acumula série de acidentes em uma semana
FOTO: Denis Maciel | DGABC

O número de óbitos nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, que passam pelo Grande ABC, em Santo André, São Bernardo, Mauá e Ribeirão Pires, cresceu 50% em 12 meses, saltando de oito para 12. Em relação aos acidentes, entre fatais e não fatais, a alta foi de 89% em seis anos nos quatro municípios. Em 2019, foram registrados 27 sinistros e em 2025 subiu para 51. (Veja tabela abaixo)
O levantamento do Diário considerada as notificações do InfoSiga, plataforma de monitoramento do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo). As ocorrências foram registradas no período de 12 meses de cada ano, por exemplo de outubro de 2023 a setembro de 2024 e de outubro de 2024 a setembro de 2025, e assim respectivamente.
Os dados ainda não computam as ocorrências de outubro, como o recente caso do carro com cinco jovens que despencou do viaduto na alça de acesso ao Rodoanel, no km 75,5, em São Bernardo na noite do último domingo (9), a uma altura de 10 metros, resultando em quatro mortes.
Nesta quarta-feira (12), outro incidente ocorreu na via, no Km 45, em Itapecerica da Serra. Um caminhoneiro que dirigia na direção da cidade são-bernardense foi sequestrado e amarrado a falsos explosivos. A carreta ficou atravessada na pista, causando interdição do trecho. (Leia mais sobre o caso na página 3)
As ocorrências recentes, especialmente o acidente fatal que tirou a vida de quatro pessoas no domingo, levantam sérias questões sobre a segurança dos usuários da via. Um dos exemplos é a altura da mureta de contenção, de apenas 70 centímetros, na alça de acesso ao Rodoanel, em São Bernardo, onde ocorreu o acidente que matou quatro jovens.
A ausência de iluminação, que dificulta a visibilidade noturna dos condutores, é outro fator de risco apontado pelo motorista de aplicativo de Santo André, Douglas Henrique Ramos, 33 anos, que circula frequentemente pela via para transportar passageiros entre municípios da região. “A falta de luz na estrada atrapalha. Também não tem indicação com as tartarugas de onde começam e terminam as pistas. À noite tem muito caminhão”, reclama.
O diretor de Operações do Instituto Cordial, Luis Fernando Meyer, ressalta a necessidade da sinalização horizontal, que inclui faixas e inscrições pintadas no piso asfáltico, assim como as tachas refletivas, conhecidas como tartarugas.
“É muito importante estes dispositivos, especialmente em curvas e travessias elevadas, como no caso do sinistro que aconteceu. Ainda estão investigando as causas deste acidente, mas podemos destacar que eles estavam em um contexto de chuva e perderam o controle do carro”, diz Meyer.
A escuridão do Rodoanel colocou em risco a vida dos integrantes de dois veículos na madrugada de sexta-feira (7), às 1h08, na altura do km 112, em Poá. Um pneu de caminhão solto na pista provocou um acidente e um prejuízo de R$ 51 mil a um dos motoristas.
A SPMar, responsável pela gestão do Rodoanel Mário Covas, alega que a iluminação está estrategicamente posicionada do km 30 ao 130, cobrindo entroncamentos, túneis, passagens subterrâneas, pedágios, pontes, viadutos e obras de arte especiais.
A concessionária informou que em 2024 investiu em manutenção e melhorias na via. “Há um projeto em aprovação na agência reguladora (Artesp -Agência de Transporte do Estado de São Paulo) do Rodoanel Seguro que prevê iluminação total em toda rodovia, instalação de mais barreiras de concreto e instalação de câmeras de monitoramento com auxílio de inteligência artificial para detectar ocorrências e acidentes.”, acrescentou.
A empresa afirma ainda que reforça a segurança viária por meio de “iniciativas de conscientização como o Maio Amarelo e as campanhas Acorda Caminhoneiro e Saúde nos Eixos, que visam educar motoristas sobre o respeito às leis de trânsito.”
O excesso de velocidade é um dos principais fatores de risco e que determina a gravidade dos acidentes, principalmente nas rodovias, segundo afirma o diretor de Operações do Instituto Cordial, centro de pesquisa de mobilidade, Luis Fernando Meyer. “O aumento da fiscalização é a forma mais eficaz de diminuir a fatalidade dos sinistros”, afirma.
O especialista destaca que um acidente a 30 km/h tem 15% de chance de ser fatal, enquanto em uma colisão a 50 km/h a probabilidade sobe para 82%.
Já o CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, Paulo Guimarães, frisa que a infraestrutura das vias é projetada para a velocidade máxima permitida. “No caso do Rodoanel, existe fiscalização de velocidade, mas ela é pontual. O ideal seria monitorar a velocidade média por trecho, o que seria altamente eficaz para reduzir este tipo de sinistro”, afirma.
Guimarães explica que, apesar de ter tecnologia disponível no Brasil, há uma discussão legal sobre a validade do monitoramento por determinado trajeto.
A questão está sendo avaliada no Congresso Nacional por meio do PL (Projeto de Lei) Velocidades Seguras, que busca alterar o Código de Trânsito Brasileiro.
“A regulamentação iria impedir o que chamamos de efeito canguru, quando os motoristas reduzem a velocidade apenas onde tem radar e aumentam de forma excessiva no trecho imediatamente superior ao fiscalizado”, justifica.
O especialista do Observatório acrescenta ainda que o comportamento é uma questão cultural. “Os usuários das vias públicas ainda não conseguiram evoluir na percepção. As pessoas assumem riscos sem terem plena ciência do que pode acontecer, além de priorizar suas necessidades individuais acima do coletivo.”
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.