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Conselho Universitário da FMABC defende ‘oxigênio novo’ na administração da FUABC

Grupo é contrário à manutenção da atual gestão, que tem Luiz Mário Pereira de Souza Gomes no comando

11/11/2025 | 04:19
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FOTOS: André Henriques 27/10/25 e Celso Luiz 14/6/24
FOTOS: André Henriques 27/10/25 e Celso Luiz 14/6/24 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O Conselho Universitário do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), em Carta Aberta aprovada ontem, defende “oxigênio novo” na administração da FUABC (Fundação do ABC), comandada há oito anos por Luiz Mário Pereira de Souza Gomes, que pretende permanecer por mais um mandato. O conselho é órgão deliberativo máximo da instituição, com representatividade de toda a comunidade acadêmica, das associações e do Conselho de Curadores da FUABC.

“A FUABC precisa de oxigênio novo. A falta de apoio da mantenedora tem colocado em risco a sustentabilidade e o pleno funcionamento do Centro Universitário”, afirma o conselho no documento. 

DGABC

Conforme antecipado pelo Diário, Luiz Mário enfrenta oposição a seu projeto de tentar um novo mandato na eleição marcada para dezembro. Na Carta Aberta, o conselho afirma que há oito anos não há alternância de poder e gestão na FUABC, o que torna urgente e indispensável a renovação

administrativa da Fundação. 

“Essa é uma medida essencial, prevista em seus documentos institucionais, indispensável para viabilizar uma reformulação de gestão e permitir a retomada de seu verdadeiro escopo institucional e de seu papel como Fundação Universitária voltada à promoção do ensino, da pesquisa e da assistência em saúde com ética, transparência, inovação e compromisso público”, diz o grupo no documento, 

O conselho destaca que a atual administração da FUABC prioriza suas atribuições como OS (Organização Social), voltada à gestão de contratos com entes públicos, deixando de cumprir obrigações básicas e desrespeitando a autonomia universitária assegurada pela Constituição. 

“O conselho alerta ainda para práticas recorrentes da atual gestão, como o crescimento desordenado da FUABC, que hoje administra cerca de 35 mil funcionários e prevê faturamento de R$ 4,5 bilhões em 2026 (conforme noticiado pelo Diário). Essa expansão vem acompanhada de denúncias públicas, veiculadas por órgãos de imprensa e processos de investigação sobre suposta má gestão, negligência e irregularidades em contratos com Prefeituras”, traz trecho da Carta Aberta.<EM>

Na região, a Fundação do ABC gerencia equipamentos como Complexo de Saúde de São Bernardo e o Complexo Hospitalar de São Caetano. Atua ainda como gestora no Hospital da Mulher de Santo André e o Hospital Radamés Nardini, em Mauá. 

O conselho afirma que desde 2018, a FUABC deixou de efetuar os repasses financeiros necessários à sua mantida, acumulando déficit que ultrapassa R$ 40 milhões, “omissão que compromete diretamente o custeio das atividades acadêmicas, administrativas e assistenciais vinculadas à formação em saúde, com qualidade e inovação”.

“O Conselho Universitário defende que a FUABC retome seu papel original e volte seu olhar à educação, à saúde e ao desenvolvimento científico e social da região, priorizando sua mantida, o Centro Universitário FMABC, razão de ser da própria Fundação”, afirma.

ELEIÇÕES

Apesar da pretensão de Luiz Mário se manter à frente da FUABC – o atual mandato se encerra na primeira quinzena de 2026 –, David Uip, reitor do Centro Universitário FMABC, é um dos nomes cotados para assumir a presidência da instituição e conta, inclusive, com apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que estaria interessado em colocar alguém de sua confiança no comando da Fundação.

Além de Uip, outros dois nomes são cogitados para as eleições de dezembro: o diretor-geral do Hospital Mário Covas, Eduardo Grecco, e o secretário de Mobilidade Urbana de Santo André, Almir Cicote. <EM>

OUTRO LADO

Questionada, a FUABC afirmou que o Centro Universitário FMABC é uma unidade mantida da FUABC, somente com autonomia acadêmica, está sujeito ao Regimento Interno e sua gestão administrativa vinculada às normas e instrumentos legais da mantenedora, inclusive o controle da legalidade.

“A Carta Aberta divulgada pela FMABC revela inúmeros equívocos e desvios na segura interpretação acerca dos aspectos administrativos e financeiros, que estão devidamente amparados pelo Estatuto, Regimento Interno e demais instrumentos que regem a relação entre a mantenedora e sua mantida. Cabe ressaltar, ainda, que a FMABC está sujeita às regras e decisões do Conselho de Curadores da Fundação do ABC, que, em sua composição, representa os municípios instituidores – Santo André, São Bernardo e São Caetano –, os quais são os legítimos proprietários da FUABC e do Centro Universitário”, afirma.

A Fundação do ABC destaca que suas ações se pautam pelos princípios da legalidade, transparência, responsabilidade e compromisso com a educação e a saúde pública, atuando em estrita conformidade com a legislação vigente e com os instrumentos que regem a instituição. “As manifestações apresentadas pela FMABC demonstram absoluto desconhecimento e carecem de fundamentos técnicos. Não refletem a realidade administrativa da entidade e denotam o desvio quanto à finalidade precípua da universidade, qual seja, formar e ensinar profissionais da saúde”, pontua a FUABC. 

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