Acusação Segundo gestor, normas foram seguidas e denúncias são da oposição
FOTO: Arquivo Pessoal

Moradores do Condomínio das Figueiras, na Rua Orlando Tasca, em Mauá, acusam o síndico do conjunto, Diego de Andrade Lira, 37 anos, de superfaturar a obra de contenção de um talude e reconstrução de uma escada hidráulica, iniciada em agosto deste ano. A denúncia, que já resultou em boletins de ocorrência e em uma ação judicial, aponta indícios de fraude em documentos e irregularidades no processo de contratação da empresa responsável pelo serviço.
De acordo com os condôminos Anísio Leite, 42, professor, e Allan Torres, 39, metalúrgico, o problema começou após o desabamento da estrutura, em abril. “O síndico procurou uma construtora para tratar dos reparos cerca de 70 dias depois, mas já apresentou um orçamento de R$ 290 mil”, contou Allan. Segundo ele, a construtora consultada teria recusado o valor, afirmando que, em 2023, um trabalho semelhante havia custado apenas R$ 18 mil.
Em assembleia em agosto, foram apresentados três orçamentos – de R$ 290 mil, R$ 297 mil e R$ 327 mil – e, de acordo com os moradores, a aprovação do mais barato já estava “previamente direcionada”. A administradora do condomínio teria dado prazo de 15 dias para a obtenção de novas propostas, mas, oito dias depois, a obra foi iniciada. “Eles começaram antes do prazo e sem apresentar o detalhamento do que seria feito”, afirma Allan.
Entre as irregularidades apontadas pelos condôminos, estão a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrada como obra de R$ 5.000, o uso de um projeto técnico adulterado de uma empresa de Belo Horizonte e um seguro emitido em nome de outro condomínio. “Há uma sequência de indícios de superfaturamento. Três anos atrás, o mesmo tipo de obra custou R$ 18 mil. Agora, o valor passou de R$ 290 mil. Não existe inflação que justifique esse salto”, critica Anísio.
O síndico do Condomínio das Figueiras afirmou, em nota, que a obra mencionada foi “devidamente aprovada em assembleia, com apresentação de três orçamentos, análise técnica e acompanhamento de engenheiro contratado, e emissão de laudo técnico atestando que todas as etapas seguiram os procedimentos e normas exigidas”.
Segundo ele, antes da execução, a administração acionou a seguradora do condomínio e a construtora responsável, mas o pedido de cobertura foi negado após vistoria que apontou vício construtivo na estrutura original. “A partir dessa negativa, a administração – com apoio jurídico – deu sequência a todos os trâmites legais necessários, incluindo a contratação de engenheiro especializado, a apresentação de orçamentos em Assembleia e a aprovação formal da obra pelos condôminos”, informou.
O síndico também afirmou que, desde janeiro de 2025, enfrenta “perseguição contínua de um grupo de moradores contrários à administração”, motivada, segundo ele, por interesses políticos e pessoais. Ele diz que os integrantes desse grupo já moveram processos contra o condomínio e que decisões anteriores da Justiça teriam sido favoráveis à atual gestão.
Por fim, o representante da administração reforçou que a gestão atua “com transparência, responsabilidade e respaldo jurídico”, e que ingressou com pedido de produção antecipada de provas que resultará em perícia judicial independente. O grupo entrou com ação de produção antecipada de provas com pedido de tutela de urgência para suspender o pagamento e investigar o contrato. A ação ainda não foi analisada pela Justiça.
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