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Santo André mantém legado no basquete com geração renovada

Treinadora e ex-jogadora do clube, Vivian Lopes conduz equipe à conquista inédita do Brasileiro Sub-23 e projeta futuro promissor

Ryan Leme
Especial para o Diário
03/11/2025 | 08:17
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em Santo André, a história do basquete feminino se repete com novos rostos, mas com a mesma essência. No banco de reservas, Vivian Lopes, ex-ala e ídolo da ‘Geração Lacta’, agora comanda as herdeiras da história que ela ajudou a construir em quadra. Em setembro, a equipe conquistou o Campeonato Brasileiro Sub-23, em Catanduva, Interior de São Paulo, na primeira participação do time no torneio.

Vivian, que defendeu Santo André como atleta em conquistas como o Paulista de 1995 e o Sul-Americano de 1999, conta que se inspira em histórias do passado. “Eu passo para as meninas aquilo que me passaram, principalmente a Arilza (Coraça, ex-técnica do clube). Esse amor por representar Santo André, de honrar o brasão, vem daí. Perder faz parte, mas se for para perder, que seja lutando, brigando até o fim por essa cidade”, diz a treinadora, escolhida melhor técnica da competição.

A conquista foi incontestável. Santo André terminou a fase classificatória com três vitórias em quatro partidas e avançou em primeiro lugar aos playoffs decisivos. Na fase final, o time venceu Blumenau (75 a 55), São José dos Campos (73 a 54) e, na decisão, Catanduva (72 a 63), encerrando o torneio de forma invicta nas finais.

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O desempenho também rendeu prêmios individuais: Brenda Bleidão foi eleita melhor jogadora do campeonato e da final, e Marcella Prande, líder em assistências.

Para Vivian, o bom resultado em quadra é reflexo do ambiente fora das quatro linhas. “A diferença foi a união do grupo. Ficamos todos juntos em uma chácara, só nós, as atletas e a comissão. Não teve atrito, nem problema extra-quadra. Mesmo quando perdemos, nos unimos mais ainda em busca do título. No fim, essa união foi o que nos fez feliz”, resume a treinadora.

Entre as jogadoras que representam essa filosofia estão Giovanna Rocha e Marcella Prande, ambas de 20 anos, que dividiram o protagonismo na conquista.

As duas cresceram no clube e tiveram em Vivian uma referência desde cedo. “Ela tem um carinho enorme pela cidade e nos passa isso nos treinos: o amor e a paixão de vestir essa camisa. A gente é quase filha dela de coração”, conta Marcella. 

Já Giovanna define o Brasileiro como uma das principais conquistas em sua trajetória nas categorias de juniores. “Esse título é muito importante para mim, representa o encerramento de um ciclo de base. É o fim de uma etapa e o começo de um novo capítulo, agora mais focado no adulto”, comenta.

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Giovanna e Marcella hoje também fazem parte do elenco principal que disputa o Campeonato Paulista, e a dupla sabe que o contato com jogadoras mais experientes tem papel decisivo para o amadurecimento. No time adulto, elas dividem o dia a dia com atletas como Sassá, que tem passagens pela Seleção Brasileira. “Treinar com quem já viveu isso faz muita diferença. A cada jogo a gente aprende algo novo. Essa vivência facilita muito a transição”, afirma Marcella.

Vivian vê nesse processo o reflexo do trabalho de base que ela mesma ajudou a consolidar como jogadora. 

“É gratificante ver a evolução delas. A Marcella, por exemplo, cresceu muito em maturidade, em entender o jogo. É lindo ver como elas estão trilhando uma história linda. Me faz lembrar de minha trajetória como jogadora”, afirma.

Mesmo após uma temporada difícil na LBF 2025 (Liga de Basquete Feminino), em que o time profissional foi eliminado na primeira fase, a conquista da equipe sub-23 renova a confiança. “Santo André está em boas mãos. É preciso valorizar as meninas que vêm da base e fazer a mescla com as experientes. O futuro é promissor”, acredita Vivian.

Mas o ano ainda não acabou para o time principal, que neste momento tem compromissos pelo Paulista, onde está nas quartas de final, diante do Ourinhos Basquete, e entra em quadra na próxima quinta-feira (6), às 20h, no ginásio do Parque Celso Daniel. 

OLHO NO FUTURO

O título brasileiro pode ter encerrado um ciclo nas categorias de base, mas abriu espaço para novos sonhos. Giovanna e Marcella, que já defenderam a Seleção em torneios sul-americanos e universitários, mantêm a ambição de seguir crescendo no esporte. “Meu maior objetivo é chegar à Seleção Brasileira adulta e, quem sabe, disputar uma Olimpíada”, projeta Giovanna. Marcella compartilha o desejo, mas também sonha com uma carreira internacional. “Gostaria muito de jogar na Europa e viver o basquete em outros países. Quero levar a região o mais longe possível.”




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