No ano que vem Comunidade destaca o orgulho de manter viva suas tradições e celebra feito histórico da seleção, que vai disputar sua primeira Copa em 2026
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Pela primeira vez na história, Cabo Verde garantiu vaga na Copa do Mundo. Vai estar no Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá, em 2026. Os Tubarões Azuis, como são conhecidos, terminaram as Eliminatórias africanas na liderança do Grupo D, com 23 pontos, vencendo Essuatíni na última rodada por 3 a 0, se juntando a Marrocos, Tunísia, Egito, Argélia, Gana, África do Sul, Senegal e Costa do Marfim no principal torneio do esporte.
A classificação do pequeno arquipélago africano, formado por dez ilhas no Oceano Atlântico, gerou uma onda de alegria entre os imigrantes e descendentes que vivem no Grande ABC, especialmente em Santo André, mais precisamente no bairro Utinga, onde está situada a ACV (Associação Cabo-Verdiana do Brasil), fundada em 1978.
Criada por imigrantes que chegaram ao Brasil na década de 1960, durante o auge do polo industrial andreense, o local tem como principal objetivo preservar as tradições culturais e fortalecer os laços entre as famílias cabo-verdianas que se estabeleceram na região. Mesmo com uma simples estrutura, o espaço se tornou um ponto de encontro afetivo e acolhedor. A entidade ainda pretende realizar encontros e eventos para acompanhar os jogos.Eles se encontram todos os meses, para celebrar e desfrutar os seus costumes, e durante o Mundial, não será diferente. São mais de 300 cabo-verdianos e descendentes presentes na região, e cerca de 4.500 no Brasil.
Segundo a presidente da associação, Rita Soares, 58 anos, moradora do bairro Camilópolis, em Santo André, o feito esportivo foi recebido com emoção pela comunidade. “É magnífico. Não tem como explicar essa alegria. Em todos os cantos do mundo, os cabo-verdianos estão orgulhosos com esse resultado. É um país pequeno, mas de um povo cheio de garra e determinação”, destacou ela, que também vive em Rotterdam, na Holanda.
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O diretor social Henrique Fermino Duarte, 58, morador de Santos, no Litoral paulista, afirmou que o fato representa um marco histórico. “Desde que a seleção se classificou, muitas pessoas têm procurado saber mais sobre Cabo Verde. Isso reacendeu o interesse pela nossa cultura e aproximou ainda mais os descendentes da história do país”, disse.
Maria das Dores Santos Cohen, 66, moradora do bairro Novo Oratório, também no município andreense, é uma das sócias da agremiação, e destacou o sentimento de pertencimento que a conquista despertou. “Mesmo vivendo há tantos anos no Brasil, nós continuamos com as raízes cabo-verdianas muito vivas. Essa vitória é de todo povo, seja em Cabo Verde ou aqui no Brasil”, comemorou.
A relação entre os dois países sempre foi harmoniosa. O idioma português e a paixão pelo futebol reforçam essa proximidade. Em Cabo Verde, por exemplo, o Brasil é uma referência cultural. O país é apaixonado por Pelé, e uma boa tarde da comunidade cabo-verdiana presente em solo brasileiro é torcedora do Santos, eternizado pelo ‘Rei do Futebol’.
A modalidade é vista como um elo entre gerações. Muitos atletas de origem cabo-verdiana atuam em seleções europeias, como Portugal, França e Holanda, e alguns têm ligação com grandes estrelas do esporte. Cristiano Ronaldo, por exemplo, tem essa ascendência, por causa de sua bisavó, Isabel Rosa de Piedade. Essa presença internacional contribuiu para o desenvolvimento do esporte nas ilhas e intensificando o sonho que hoje se torna realidade: jogar uma Copa do Mundo, e que o desempenho, inspire as novas gerações.
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