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Comissão do Metanol ouve representantes de cooperativas em São Bernardo

Câmara quer ampliar controle sobre o descarte de garrafas e reforçar ações contra adulteração de bebidas

Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
31/10/2025 | 15:53
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FOTO: Gabriel Gadelha Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Comissão Especial da Câmara de São Bernardo que investiga os casos de intoxicação por bebidas adulteradas com metanol ouviu nesta sexta-feira (31) representantes das cooperativas Reluz e Cooperluz, que atuam na coleta e triagem de recicláveis no município. Os vereadores convidaram os cooperados para esclarecer como ocorre o recolhimento e a destinação das garrafas de vidro na coleta seletiva,.

Durante a oitiva, Claudemir Sebastião da Silva, presidente da Cooperativa Reluz, explicou que as cooperativas não comercializam garrafas inteiras e que o material recolhido na coleta seletiva chega, em sua maioria, já quebrado. “O caminhão é compactador. Quando o material chega na cooperativa, o vidro já vem quebrado. A gente não vende garrafas inteiras. Quem vende é o ferro-velho, porque os catadores de rua pegam direto em bares e adegas”, afirmou Claudemir.

Ele também destacou que o valor de revenda do vidro é muito baixo, o que torna o material pouco rentável para os cooperados. “Uma caçamba com até 18 toneladas sai por cerca de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil. O vidro não paga a mão de obra do cooperado. A gente recicla muito mais por compromisso com a cidade do que por lucro”, completou.

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Viviane Conceição de Souza, diretora-tesoureira da Cooperluz, reforçou que as cooperativas não mantêm qualquer tipo de negociação com atravessadores ou compradores informais.

“Desde que entendemos o processo da reciclagem, aprendemos que vender garrafa inteira é contribuir para algo incorreto. Nós só comercializamos com empresas legalizadas e todo o material sai com nota fiscal”, disse.

Os representantes das cooperativas também afirmaram que a coleta seletiva oficial do município é feita por caminhões compactadores contratados pela prefeitura, o que inviabiliza a reutilização de garrafas. Parte do material chega às cooperativas por meio desse sistema e outra por recolhimento em grandes estabelecimentos, como casas de shows, onde o vidro é imediatamente triturado.

Questionados pelos vereadores sobre políticas públicas, os cooperados defenderam que a ampliação de incentivos e o fortalecimento das cooperativas ajudariam a reduzir a atuação de catadores informais e sucateiros, apontados como possíveis canais de desvio das garrafas usadas em bebidas adulteradas.

“A intenção é tirar os catadores das ruas e incluí-los em cooperativas, para que trabalhem de forma digna e não sustentem o mercado informal”, disse Viviane.

O presidente da comissão, vereador Julinho Fuzari (Cidadania), avaliou positivamente as explicações apresentadas pelos cooperados e afirmou que a oitiva esclareceu dúvidas sobre o destino dos descartes de garrafas no município.

“A nossa preocupação era saber qual destinação essas garrafas estavam recebendo e se havia algum tipo de comercialização irregular. Ficou claro que todo o material é triturado e vendido como vidro, o que nos tranquiliza em relação a essa operação”, destacou.

Julinho ressaltou ainda que a Vigilância Sanitária tem feito um trabalho importante na fiscalização, o que contribuiu para a redução dos casos de intoxicação. “Os casos diminuíram sensivelmente, mas também houve queda no consumo de bebidas destiladas em bares e restaurantes. Ainda não sabemos se isso ocorre pela redução das adulterações ou pela menor procura do público, mas continuaremos acompanhando”, disse.

O vereador informou que a comissão pretende visitar as cooperativas para entender na prática o processo de trituração e destinação dos materiais. Além disso, foi aprovado um requerimento ao DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania ) para que delegados e policiais responsáveis pelas investigações dos casos de metanol compareçam à Câmara. O convite inclui os responsáveis pelas operações que resultaram no fechamento de uma fábrica clandestina na Rua dos Palmitais, no bairro Alvarenga,  no último dia 10 e de um posto de combustíveis na Avenida João Firmino, no Assunção no dia 24.

Entre as medidas discutidas, a comissão também propôs a criação de uma legislação municipal que obrigue bares e restaurantes a comprovarem o descarte correto das garrafas. “Queremos que cada estabelecimento receba um recibo com a quantidade de garrafas descartadas, para que seja possível cruzar esses dados com as notas fiscais de compra. Isso ajuda a combater a comercialização irregular de embalagens”, explicou Julinho.

Outra indicação que será  apresentada ao Executivo prevê a criação de uma força-tarefa com a GCM  (Guarda Civil Municipal), Vigilância Sanitária e fiscais da Secretaria de Obras para vistoriar ferros-velhos suspeitos de revender garrafas.“Se não podem comercializar, é preciso agir. E se podem, que essa autorização seja revista”, completou o vereador.

Julinho classificou o encontro como produtivo e afirmou que a comissão seguirá atuando para garantir segurança à população. “Foi um trabalho muito importante, com ações que buscam restabelecer a ordem e dar tranquilidade à população para que as pessoas possam frequentar bares e restaurantes de forma segura, prestigiando o bom comerciante que trabalha dentro da legalidade”, concluiu.

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