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Bebidas com metanol no Estado saíram de fábrica clandestina em São Bernardo

Delegado-geral afirma que produtos adulterados têm origem em operação familiar criminosa; etanol com metanol era adquirido em postos da região

17/10/2025 | 14:30
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FOTO: Reprodução Youtube Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Polícia Civil de São Paulo confirmou nesta sexta-feira (17) que todas as bebidas contaminadas com metanol identificadas nas últimas semanas no Estado têm origem em uma fábrica clandestina localizada no bairro Alvarenga, em São Bernardo. A informação foi dada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, durante coletiva de imprensa realizada nesta manhã.

A fábrica, situada na Rua dos Palmitais, foi desmantelada no último dia 10 em uma operação conduzida por equipes da Dicma (Delegacia de Investigações sobre Crimes Contra o Meio Ambiente) e do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania). Além da sede da produção clandestina, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis em São Caetano e na Capital.

Segundo as autoridades, a responsável pela fábrica clandestina, Vanessa Maria da Silva, foi presa em flagrante durante a ação. As investigações revelaram que o esquema era operado por um núcleo familiar: o marido, o pai e o cunhado de Vanessa também estão envolvidos diretamente nas práticas criminosas, que incluíam a fabricação, o envase e a venda das bebidas falsificadas.

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“Conseguimos estabelecer um vínculo claro de que todas as bebidas contaminadas saíram, em algum momento, desse círculo familiar liderado por Vanessa. Esse primeiro ciclo da cadeia criminosa foi fechado com sucesso”, afirmou o delegado Artur Dian.

ESQUEMA COM POSTOS DE COMBUSTÍVEL

Nesta sexta-feira, uma nova fase da investigação identificou dois postos de combustíveis, um em Santo André e outro em São Bernardo, que estariam fornecendo etanol adulterado com metanol à quadrilha. Segundo a polícia, o combustível era adquirido em bombonas, o que seria uma prática ilegal, por pessoas ligadas à família de Vanessa.

“Hoje foram deflagradas sete diligências simultâneas. Conseguimos confirmar, por meio de registros financeiros e perícias, que o etanol usado na produção das bebidas contaminadas foi comprado nesses postos. As bombonas apreendidas continham, de fato, metanol”, explicou o delegado.

As transações financeiras entre membros do grupo e os postos foram registradas até o dia 30 de setembro. Um dos envolvidos, conhecido como "garrafeiro", responsável por fornecer embalagens para as bebidas falsificadas, reside nas proximidades de um dos postos e também teve participação ativa no esquema, segundo a polícia. Os endereços dos postos de gasolina não foram divulgados até o momento. 

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CASOS 

Entre os casos investigados, a polícia destacou o de um homem contaminado no bairro Planalto Paulista, na Zona Sul da Capital. A vítima foi internada em estado grave e apresentou quadro de cegueira, uma das possíveis consequências da intoxicação por metanol.

Mesmo após os primeiros casos de intoxicação e alertas sanitários, a produção de bebidas continuava ativa. “Segundo relatos colhidos durante as investigações, Vanessa demonstrava frieza diante da gravidade da situação. As bebidas seguiam sendo fabricadas e distribuídas, mesmo com o problema instalado”, afirmou Dian.

A investigação continua para identificar outros pontos de distribuição e possíveis ramificações do esquema. 

O Estado de São Paulo registra seis óbitos confirmados em decorrência da intoxicação por metanol, incluindo o de Bruna Araújo de Souza, 30 anos, moradora de São Bernardo. Os demais casos fatais são de três homens residentes na Capital, um homem de Osasco e um de Jundiaí.

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