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Sobrevivente do nazismo visita Santo André e prega empatia

Margot Bina Rotstein vivenciou a Noite dos Cristais, massacre orquestrado pelo regime nazista contra a população judaica na Alemanha e na Áustria

30/10/2025 | 16:23
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 A alemã naturalizada brasileira Margot Bina Rotstein, sobrevivente da Noite dos Cristais - ataque orquestrado pelo regime nazista contra os judeus na Alemanha e na Áustria nos dias 9 e 10 de novembro de 1938 -, esteve ontem no Colégio Xingu, em Santo André, participando de um fórum sobre o Holocausto.

Aos 93 anos, Margot traz vivo na memória o ataque que marcou o período mais intenso de perseguição e de genocídio de aproximadamente seis milhões de judeus europeus pelo regime nazista. Margot tinha apenas 6 anos, quando os nazistas lançaram a violenta ação coordenada contra sinagogas, casas e lojas de judeus, que foram destruídas e saqueadas. O nome "Noite dos Cristais Quebrados" surgiu da enorme quantidade de estilhaços de vidro que cobriram as ruas após a destruição.  

“É uma história muito triste, mas tem de ser contada para que nunca mais aconteça. Havia um temor, mas ninguém sabia da realidade e do terrorismo que iria ser. Meu pai teve se esconder e eu tinha de levar notícias da minha mãe para ele e dele para minha mãe. Foi uma coisa muito horrível. Não dá para acreditar no que as pessoas fizeram. Tinha caco de vidro para todos os lados. Minha mãe mandou eu não olhar para o lado e, de fato, fui em frente e não olhei para ninguém”, conta. 

DGABC

Margot afirma que não esteve em campo de concentração, porque ela, seu pai e sua mãe conseguiram fugir para a França e depois para a América do Sul, onde tinham vistos para o Paraguai, Bolívia e Brasil. Porém, a maior parte dos familiares da agora brasileira não teve a mesma sorte. 

Apesar de reviver o medo e a dor de deixar para trás familiares e tudo que tinha – a família fugiu para a França apenas com a roupa do corpo –­, Margot entende que contar essa parte triste da história é uma forma de mostrar a importância de se lutar contra o racismo, contra a intolerância e por maior empatia entre os povos. 

“A humanidade precisa ser menos preconceituosa.  Ter mais empatia. Não ter preconceito contra nenhuma raça, cor ou religião. Isso é o principal. Aí teremos uma vida mais segura”, afirma. 

A visita de Margot ao Grande ABC faz parte de uma atividade programada pelo colégio, que começou no início do ano e passou por diversas etapas, desde pesquisa até uma visita ao Memorial do Holocausto (Rua da Graça, no 160 - Bom Retiro), em São Paulo, o qual trouxe à escola a exposição itinerante ‘Shoá: Como foi humanamente possível?’. 

Jamily Sena, coordenadora da etapa 2 do projeto, explica que é o segundo ano que o colégio realiza o fórum e a escolha pela temática se deu por 2025 marcar 80 anos do fim do Holocausto. “O tema foi escolhido pelo alinhamento aos valores que a escola acredita e pelo marco da data. Discutir sobre empatia e direitos humanos fortalece os alunos. Quando a gente conhece a história, não repete. Nosso objetivo é que todos tivessem entendimento do que foi o Holocausto, para que todo o conhecimento que estão adquirindo, pois pesquisaram e se engajaram, ficasse eternamente marcado. Acreditamos que discutindo direitos humanos, empatia e respeito eles vão colocar isso em prática. Foi muito emocionante para eles e para nós”, afirma.

REGIME NAZISTA

O Holocausto foi o genocídio planejado e executado com base na ideologia antissemita (aversão ao povo judeu) e racista de Adolf Hitler e do Partido Nazista. Os nazistas consideravam os judeus como uma "raça inferior" e os culpavam pelos problemas da Alemanha, como a derrota na Primeira Guerra Mundial e a crise econômica. A perseguição começou em 1933 com a promulgação de leis que limitavam os direitos dos judeus. 

Os judeus e outras vítimas foram forçados a viver em guetos, depois transferidos para campos de concentração e, por fim, para campos de extermínio. Em locais como Auschwitz, o maior campo de concentração nazista, o extermínio em massa era realizado de forma industrializada, principalmente por meio de câmaras de gás.

 Além dos judeus, outros grupos considerados "indesejáveis" pelo regime nazista também foram perseguidos e mortos, incluindo ciganos, homossexuais, Testemunhas de Jeová, pessoas com deficiência e opositores políticos. 

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