Sustentabilidade Volume de materiais coletados cresceu 2,5% em um ano e chegou a 24,1 mil toneladas; municípios proporcionam pontos de descarte
Foto: Denis Maciel/DGABC

O volume de materiais recicláveis coletados entre janeiro e setembro deste ano apresentou alta de 2,5% no Grande ABC, em comparação com o mesmo período do ano passado. No total, seis cidades, com exceção de Rio Grande da Serra, somaram 24,1 mil toneladas em 2025, contra 23,5 mil em 2024, segundo dados das prefeituras.
O avanço regional foi impulsionado principalmente por São Bernardo, que ampliou em 8,9% a quantidade de resíduos destinados à reciclagem, passando de 10,8 mil para 11,7 mil toneladas. Mauá e Ribeirão Pires também registraram crescimento, a primeira subiu de 143 para 211 toneladas, e a segunda, de 359 para 430 toneladas.
A coleta seletiva porta a porta é realizada em todos os municípios, com variações na abrangência e frequência do serviço. Em São Bernardo, a Prefeitura mantém duas centrais de triagem operadas por cooperativas conveniadas. A coleta ocorre até três vezes por semana em todos os bairros, inclusive na zona rural, com uso de caminhões e motos elétricas. A cidade também mantém o programa Eco Óleo, que troca óleo usado por sabão biodegradável, e ações de conscientização porta a porta sobre separação de resíduos.
Santo André, que mantém a coleta seletiva há quase três décadas, recolheu 9.800 toneladas nos nove meses de 2025. O município conta com 30 estações de coleta, uma delas exclusiva para eletroeletrô-nicos, e limita o descarte a 1 m³ de entulho e recicláveis por morador a cada mês. A autarquia municipal, Semasa, destina os materiais às cooperativas e remunera pela quantidade que deixa de ir ao aterro. A cidade também desenvolve programas de incentivo, como Moeda Verde (troca de recicláveis por alimentos), Moeda Pet (por ração), e o Breshopping Sustentável (doação e troca de roupas e acessórios).
São Caetano mantém convênio com uma cooperativa composta por 20 trabalhadores e oferece três ecopontos para descarte, além das UBSs (Unidades Básicas de Saúde). O município também oferece o serviço de cata-treco para a população. A operação acontece mediante agendamento prévio e contempla a coleta de materiais volumosos, como móveis, eletrodomésticos, madeiras, entre outros, e até cinco sacos de entulho.
A coleta seletiva porta a porta é realizada uma vez por semana em cada bairro, de segunda a sábado, em Diadema. Com 16 ecopontos, a cidade também intensificou a fiscalização contra o descarte irregular, com agentes da GCM (Guarda Civil Municipal) autorizados a aplicar multas que chegam a R$ 5.300. As campanhas educativas são feitas nas redes e em pontos de descarte.
Os programas Troca Verde (recicláveis por alimentos ou ração), Mauá Recicla (incentivo à separação dos resíduos) e Olhar Verde (atividades educativas nos parques) compõem as ações de incentivo à reciclagem no município mauaense. Com aumento de 46,7% no volume de recicláveis, mantém cinco ecopontos e planeja implantar mais quatro com recursos do Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos). A coleta é realizada porta a porta em sete bairros e em Pontos de Entrega Voluntária instalados em órgãos públicos.
Ribeirão Pires opera com uma cooperativa (Cooperpires) e um ecoponto, localizado no Paço Municipal, que recebe papel, plástico, vidro, alumínio, pilhas, baterias e lâmpadas. A coleta porta a porta atende todos os bairros, mediante agendamento, e é divulgada em calendário online e campanhas nas redes sociais.
QUEM REALIZA
Para quem trabalha diretamente com o material reciclável, o impacto da coleta seletiva vai muito além dos números. A presidente da Cooperlimpa, Patrícia Frazão, de Diadema, lembra que o município foi pioneiro na formalização do trabalho dos catadores. “Diadema foi o primeiro município do Brasil a remunerar os catadores de materiais recicláveis. A gente saiu da invisibilidade e passou a ter reconhecimento na lei”, explica.
Segundo ela, a cooperativa atua há 26 anos com foco na inclusão social. “Nós trabalhamos com vidas. São pessoas que estavam totalmente excluídas do mercado de trabalho e encontraram na reciclagem a única renda da família. Cada catador mantém esposa, filhos e netos. É a renda que sustenta a casa”, conta.
Em São Bernardo, a diretora-tesoureira da Cooperluz, Viviane Conceição, destaca que a atuação das cooperativas tem garantido destinação correta aos resíduos e dignidade aos trabalhadores. “Algumas prefeituras fazem o seu papel, contratando e dando condições dignas para as cooperativas. Em São Bernardo, temos cerca de 40 cooperados diretos e mais de 200 pessoas beneficiadas, impactadas indiretamente, pelo trabalho”, afirma.
O Grande ABC também conta com a Coopcent ABC, uma cooperativa de segundo grau que reúne grupos organizados de catadores e catadoras da região. Fundada em 2008, a entidade surgiu da necessidade de fortalecer a venda coletiva dos materiais recicláveis, permitindo negociar diretamente com a indústria e garantir melhor retorno financeiro aos cooperados. Com sede em Diadema, a Coopcent ABC atua de forma integrada com base nos princípios da economia solidária. Hoje, a central reúne cinco cooperativas e uma outra está em processo de formalização.
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