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Com apenas uma passarela em 37 km, Índio Tibiriçá tem 101 atropelamentos

Rodovia registrou, de janeiro de 2019 a setembro deste ano, 27 óbitos e 74 feridos; DER estuda construir seis travessias elevadas

24/10/2025 | 08:59
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Rodovia Índio Tibiriçá possui em seus 37,2 km de extensão apenas uma passarela, localizada no km 54. No restante da via, os pedestres precisam se arriscar entre os veículos. De janeiro de 2019 a setembro de 2025, foram registrados, de acordo com o Detran-SP (Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo), 101 atropelamentos, dos quais 27 foram fatais.

No total, a via, que passa por Santo André, São Bernardo e Ribeirão Pires, além de Suzano, contabilizou 81 óbitos neste período, ou seja, um terço das vítimas morreu por atropelamento. O DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem) informou ao Diário que estuda a possibilidade de instalação de passarelas em seis pontos, localizados nos kms 53, 57, 58, 60, 62 e 66.

Nos trechos urbanos, situados entre os kms 38 e 69, a concessionária que administra a Rodovia Índio Tibiriçá orienta uma velocidade máxima de 40 km/h, limite fiscalizado por dez radares dos kms 53,9 ao km 66,2. Entretanto, boa parte dos motoristas trafega acima do permitido. 

DGABC

O ajudante geral Luiz Ferreira, 56 anos, diz que anda um quilômetro, do km 53 ao km 54, para atravessar a passarela, percurso que realiza todos os dias. “Aqui é muito perigoso, ninguém respeita a velocidade. Passam a 80 km/h. O melhor mesmo é fazer bastante passarela. Não me arrisco, só atravesso por ela”, enfatiza o morador de Ribeirão Pires.

O comerciante André Luiz da Silva, 56, acredita que, mesmo com mais travessias, elevadas muitos pedestres continuariam ignorando as regras de segurança.

“As pessoas não respeitam. Se houvesse passarelas, muita gente não passaria por baixo delas. Aqui tem faixa de pedestre, mas vejo o dia todo pessoas atravessando fora dela. Tenho medo, principalmente, pelos idosos, que andam mais devagar”, contou Silva, dono de uma barraca de pastel no km 56.

O advogado especialista em trânsito e ex-policial rodoviário André Gomes Bertucci afirma que poucos pedestres utilizam de fato as passarelas nas rodovias e que reduzir a velocidade nos trechos com maior fluxo de veículos pode diminuir a gravidade dos acidentes.

“Quanto maior for a velocidade, maior o impacto. Em um atropelamento a uma velocidade de 40 km/h a 50 km/h, a pessoa ainda pode se salvar”, pontua. 

Segundo o manual da ONU (Organização das Nações Unidas), a chance de sobreviver ao atropelamento por um veículo a partir de 48 km/h é de 55% e, acima de 64 km/h, apenas 15%. 


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DUPLICAÇÃO

Obra aguardada há 14 anos, a duplicação da Rodovia Índio Tibiriçá, apesar dos adiamentos, deve sair do papel em breve e é uma das soluções para melhorar o tráfego e trazer mais segurança aos usuários.

O DER-SP prometeu a publicação do edital de licitação para sua construção ao longo do segundo semestre deste ano. A última previsão, para este mês, deverá ser adiada, sem nova data definida. 

A concessionária disse que está em fase de finalização o projeto de duplicação da rodovia, com previsão de conclusão neste mês. “A data de publicação do edital depende da conclusão do projeto e ainda não foi definida”, informou.

OUTRAS

As rodovias Anchieta e Imigrantes possuem, juntas, 114,4 km de extensão e contam com 36 passarelas de pedestres - 28 na Rodovia Anchieta e oito na Imigrantes. De acordo com a Ecovias, que administra o Sistema SAI (Anchieta - Imigrantes), está prevista a construção de mais uma passarela no km 56 da Anchieta.

Segundo a SPMar, os trechos Sul e Leste do Rodoanel, por não cruzarem áreas urbanas, não apresentam demanda suficiente para a implantação de passarelas. As passagens superiores e inferiores do Rodoanel já funcionam como travessias. 




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