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Guerra no sul do Iraque dá lucro para alguns


Da AFP

05/04/2003 | 15:50


Gasolina, cigarros, uma chuveirada ou um pouco de comida fresca: tudo é negociável em tempos de guerra e tudo sobe de preço rapidamente ao ritmo de uma inflação marcada pela miséria e pelo instinto de sobrevivência. "Por US$ 600 faço com que entrem no Iraque em meu automóvel. Tenho contatos, é garantido. Vocês podem trabalhar durante o dia, dormimos em barracas de campanha à noite e, no dia seguinte, voltamos para o Kuwait".

Esta é a proposta 'turística' de um peculiar personagem chamado simplesmente de "Peejay", cuja nacionalidade é um mistério e que faz a vida organizando visitas de 24 horas ao Iraque para jornalistas que não conseguiram entrar no sul devido aos intensos controles na fronteira kuwaitiana.

Seu carro, um 4X4 coberto de barro para passar mais despercebido, já fez dez idas e dez voltas desde o início da guerra e espera continuar no mesmo ritmo nas próximas semanas. No único posto de gasolina de Umm Qasr, a guerra também é uma oportunidade para se ganhar uns dólares a mais graças ao apreciado combustível. "Normalmente o litro custa um dólar, mas para os estrangeiros, o preço é de cinco", explica um dos funcionários.

Além da gasolina, o dono do lugar oferece um pátio interno onde vários carros podem passar a noite tranqüilamente. No fundo, há um precário banheiro onde um chuveiro puxa água através de um gerador. A diária do "hotel" custa US$ 40 por noite, o salário médio mensal de um iraquiano que trabalha no porto da cidade.

"Quer uísque ou anisete?", perguntam alguns habitantes de Basra ou Al Zubair mostrando a bebida guardada em sacos plásticos. O preço da garrafa varia de 30 a 60 dólares. Passadas três semanas do início da guerra, praticamente ninguém no sul do Iraque aceita os dinares com a figura de Saddam Hussein e até nos mercados de Umm Qasr os tomates e os ovos são pagos em dólares.

"Três quilos de tomate, dois dólares, duas dúzias de ovos, quatro dólares", informa o vendedor, disposto também a sacrificar uma ovelha por cem verdinhas. A guerra também multiplicou as possibilidades de trabalho para os iraquianos ou kuwaitianos que falam inglês e podem servir de tradutores para militares e jornalistas.

As tarifas oscilam: US$ 150 por dia para os kuwaitianos profissionais que ousam atravessar esta temida fronteira com uma equipe de jornalistas, fazendo-se passar por marroquino ou libanês, ou 50 dólares para iraquianos que "debutam" na profissão. Alguns mais afortunados têm um contrato com o exército britânico ou americano para atuar como mediadores com as famílias dos prisioneiros de guerra, com os próprios detidos, com os trabalhadores do porto contratados pelos marinheiros ou com os cidadãos que levam os doentes para os hospitais militares.

"'Mister', por US$ 5 faço um arroz, por dez ponho um pouquinho de frango", anuncia uma senhora iraquiana suja e esfarrapada aos ocupantes do carro estrangeiro



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