Setecidades Titulo Um para 7.691

Com 84 mil PCDs visuais, região tem apenas 11 cães-guia

Presidente da Unucg, Maria Villela, comenta que o baixo número passa por falta de políticas públicas e preço elevado de treinamento

19/10/2025 | 23:00
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC tem apenas 11 cães-guia em atividade, segundo dados da Unucg (União Nacional de Usuários de Cães-Guia). De acordo com o levantamento do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são 84.610 PCDs (Pessoas com Deficiência) visuais na região. Na comparação com o número de cachorros de serviço, a proporção representaria um pet para cada 7.691 moradores com algum tipo de deficiência para enxergar.

Segundo a presidente da Unucg, Maria Villela, o cão-guia se configura como um animal adestrado e treinado para conduzir uma pessoa cega e que é, necessariamente, dócil para exercer a função. Os principais aspectos do treinamento do animal incluem a socialização em diferentes ambientes, a habilidade de desviar e indicar obstáculos, além da execução de comandos básicos durante o percurso.

A baixa quantidade se deve à falta de políticas públicas e ao alto custo do processo de treinamento, que, em média, é de R$ 25 a R$ 50 mil. “É um treinamento longo que pode levar de um ano e meio a dois e as pessoas têm que custear todo o processo. Também temos pouco incentivo, a maior parte dos cachorros é entregue por ONGs (Organizações Não Governamentais), não há um projeto governamental para treinamento dos animais. Por conta disso, infelizmente, cães-guia não são para todos”, ressaltou Maria.

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Além desses fatores, a gestora da associação afirmou que há poucos profissionais capacitados para treinar os animais. Atualmente, o Brasil possui 207 cães-guia ativos com 15 escolas oficiais que entregam os animais no País, sendo nove delas nacionais e seis do exterior.

A psicóloga e moradora de Santo André, Cristiane Rufino, 46 anos, utiliza o Paco (seu cão-guia) para condução desde 2021. “Com a bengala, tenho que bater no obstáculo e depois seguir, com o cachorro não. Ele desvia, para em degraus de escada e me auxilia na mobilidade. O caminho para casa, por exemplo, ele já sabe”, disse a andreense.

Cristiane explica que a principal dificuldade é a falta de atenção das outras pessoas nas ruas. Ela reforçou que não se deve tocar no animal ou chamá-lo, visto que a concentração pode ser perdida, causando eventuais acidentes.

“No processo de ficar com o Paco, tive que filmar minha casa, minha rota para meu trabalho e falar sobre a minha rotina. Tirei pelo Instituto Adimax, de Salto de Pirapora. Não tem uma lista de espera. Eles analisam meu perfil de rotina com o perfil do cão. Por conta do grande movimento, priorizaram um animal mais atento, que se movimenta mais e que não estranha com metrô”, contou a psicóloga.

Ela ainda relatou que no início a adaptação foi difícil, justamente por estar acostumada a usar bengala. Entretanto, para ela, a confiança um com o outro é essencial para o sucesso da dupla. “Hoje, o Paco tem 6 anos de idade. Acredito que ele me entende em muitos aspectos. O Paco é tudo para mim. Representa uma parte de mim e eu não consigo sair sem ele”, concluiu Cristiane Rufino.

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