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Um a cada dois PcDs do Grande ABC não possui ensino fundamental

Das 161.706 pessoas com alguma deficiência, 78.256 não conseguiram prosseguir com os estudos e apenas 18.796 chegaram à universidade

06/10/2025 | 08:36
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O Grande ABC possui 161.706 pessoas com algum tipo de deficiência e quase metade delas não conseguiu concluir nem a educação básica. São 78.256 moradores (48,4%) que não têm o ensino fundamental completo. O levantamento foi realizado pelo Diário com base nos dados do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Por suas limitações, essa população enfrenta mais desafios para ter acesso à educação. O número de moradores da região sem deficiência que possuem ensino fundamental incompleto é consideravelmente menor – 19,4% de um total de 2,7 milhões de habitantes. Já a taxa de analfabetismo é de 1,8% em não deficientes contra 11% entre as pessoas com deficiência.

A doutora e mestre em educação Elaine Gomes Vilela, que coordena o Núcleo da Acessibilidade da Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo, destaca que poucas pessoas com deficiência conseguem prosseguir com os estudos.

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“Os motivos vão da condição financeira e de locomoção à comunicação e inadequação dos espaços e recursos. As adaptações são complexas dependendo do curso que a pessoa com deficiência escolhe e nem sempre a escola tem profissionais preparados para esse atendimento”, diz a docente.

Chegar ao ensino superior é um privilégio para poucos. Apenas 18.796 – aproximadamente 11,6% – concluíram a graduação. Na população sem deficiência, essa porcentagem é de 27,4%.

A estudante de pedagogia Camilly Aurora Santos Soares, 19 anos, é surda de nascença e, apesar de não dominar a língua escrita, conseguiu dar sequência aos estudos porque as instituições de ensino em que estudou tiveram preparo para lhe proporcionar as adaptações necessárias. Atualmente ela cursa o segundo semestre do curso na Universidade Metodista de São Paulo.

“Fui alfabetizada em Libras em uma escola bilíngue para surdos. Ela é totalmente adaptada e foi ótimo estudar lá, onde também fiz amigos. Achei que a universidade não conseguiria por causa do português, com o qual tenho dificuldade, mas aqui na Metodista estou conseguindo com os intérpretes que fazem a adaptação para a linguagem de sinais”, declarou a jovem, em Língua Brasileira de Sinais.

Camilly Soares fez o ensino fundamental e médio na Emeb (Escola Municipal de Educação Básica Especial) Neusa Bassetto, no bairro Rudge Ramos, em São Bernardo. A professora Amanda Cavalcante Stauder lecionou para a estudante em ambas as instituições.

“A linguagem de sinais é a primeira língua da comunidade surda e, para dar acessibilidade aos surdos ao conteúdo que está sendo transmitido, precisamos oferecer as duas vertentes, em Libras e no português escrito, o qual é mais complexo, principalmente para quem teve uma defasagem na alfabetização”, explica Amanda.

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DADOS POR MUNICÍPIO

Em média, 6% da população de cada uma das sete cidades possui alguma deficiência. Aproximadamente 1,2% é surda, 3,1% tem cegueira ou baixa visão, 3,4% alguma limitação física e 1,1%, limitação mental. Vale ressaltar que uma mesma pessoa pode ter mais de uma deficiência.

Santo André possui 748.919 habitantes, de acordo com o Censo 2022, São Bernardo, 810.729, São Caetano, 165.655, Diadema, 393.237, Mauá, 418.261, Ribeirão Pires, 115.559, e Rio Grande da Serra, 44.170.

O município com a maior porcentagem, entre as pessoas com deficiência, sem ensino fundamental completo é Rio Grande da Serra (59,3%), seguido de Diadema (53,6%), Mauá (52,8%), Ribeirão Pires (52,6%), Santo André (48%), São Bernardo (44,1%) e São Caetano (42,2%).

Em relação à parcela de moradores com deficiência que possui ensino superior completo, São Caetano se destaca, com 19,1%. Na sequência está São Bernardo, com 14,4%, Santo André, 12,5%, Ribeirão Pires, 9,3%, Mauá, 7,3%, Diadema, 7%, e Rio Grande da Serra, 3,2%.

A taxa de analfabetismo é maior em Mauá, onde 13,4% da população com deficiência não sabe nem ler e escrever, seguido de Diadema (13%), Rio Grande da Serra (12,6%), São Bernardo (10,7%), Santo André (10,1%), Ribeirão Pires (9,9%) e São Caetano (7,2%).




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