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Professores ensinam nas adversidades e buscam sanar desafios da aprendizagem

Com olhar apurado, educadores identificam limitações além da sala de aula e criam estratégias que garantem a absorção do conhecimento

14/10/2025 | 08:00
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Mais que lecionar suas disciplinas, os professores têm o desafio de garantir que o conteúdo seja compreendido. Neste caminho, esbarram em muitas barreiras que vão além da sala de aula. Com um olhar apurado, identificam bloqueios de aprendizagem, deficiências, situações de extrema vulnerabilidade social, entre outros problemas, e criam estratégias para cumprir a missão de transmitir o conhecimento.

“Não encontramos somente aquele aluno que senta na cadeira e aprende. Temos de driblar uma sala de aula com mais de 30 alunos, entre eles alguns com deficiência, e precisamos dar atenção a todos eles. Lecionar já é um ato de coragem, uma profissão escolhida e exercida por amor, pois há muita desvalorização. Mas a maior recompensa é ver o progresso do aluno, mesmo que pequeno aos olhos de quem não vive essa realidade”, define a professora de educação especial no Cais (Centro de Atenção à Inclusão Social) de Diadema, Lucineia Mangerona Fukuzaki, 60 anos, que leciona há 25 anos. 

A PAPP (Professora de Apoio a Projetos Pedagógicos) na Secretaria de Educação de São Bernardo, Ellen Karina Selicani Caróba, 45, diz que os docentes encontram nas salas de aula situações diversas, como estudantes que voltam a estudar depois de muitos anos, idosos que redescobrem o prazer de aprender, jovens em vulnerabilidade social que encontram na escola um espaço de acolhimento, além de pessoas com deficiência que desafiam o sistema a se reinventar diariamente. 

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“Diante dessas situações, o papel do professor se amplia. Mesmo nas adversidades, é inspirador ver como a educação consegue transformar vidas quando é vivida com empatia e compromisso”, destaca Ellen, moradora de São Bernardo que atua na profissão há 23 anos.


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EDUCAÇÃO ESPECIAL 

Lucineia ressalta que tais desafios se multiplicam na educação especial. O professor tem a missão de reconhecer deficiências que bloqueiam a aprendizagem, muitas vezes não identificadas e tratadas. “Tivemos um aluno que estava com dificuldade de entender a matéria e ao investigarmos descobriu-se que ele tinha problema de audição”, lembra.

A docente conta como puderam oferecer autonomia e uma melhor experiência educacional a um aluno com paralisia cerebral, sem fala e os movimentos do corpo. “Ele era muito inteligente e se comunicava por símbolos. Com os olhos, apontava para o que queria dizer. Pesquisei e encontrei uma tecnologia acessível, um óculos que funciona como mouse. Pelo movimento do olhar, ele mexia o cursor e acessava computador e internet de forma independente.”

O educador também é um ator, de acordo com a professora de Diadema. “Atuamos conforme o que está conhecendo ali e nos adaptamos. O professor acaba tendo muita criatividade. Se não tem o recurso, arruma sucatas e improvisa. Faço jogos de tampinha de garrafa, de papelão, com o que tiver, para a criança conseguir aprender.” 

TARDIA

Para facilitar a aprendizagem de alunos que ficaram anos longe das salas de aula e voltam a estudar em meio às atribuições da vida adulta, os conteúdos são adaptados e vinculados a situações do cotidiano. “Usamos textos que falam do trabalho que aquele aluno faz, ou já fez, do que viveu e de suas necessidades práticas. No início de cada ano letivo os professores escutam a realidade de cada turma e desenvolvem o trabalho de ensino”, explica Ellen Karina. 

NA VULNERABILIDADE

Na rede pública, especialmente em escolas localizadas em favelas, a vulnerabilidade social desafia os educadores. A mauaense Rebeca Santos Café Lima, 30, que leciona há quatro em uma escola estadual no Jardim Oratório, em Mauá, ressalta que é necessário haver flexibilidade e um olhar empático a esses alunos. 

“Lidamos com crianças cujo futuro é incerto, o cuidado e saúde são, muitas vezes, negligenciados. Estamos falando de famílias que ainda não têm acesso ao saneamento básico. Há crianças que se alimentavam apenas com a merenda escolar”, relata.

PROFESSOR, PRESENTE!

Essa é a segunda matéria da série Professor, Presente!, que destaca a valorização dos docentes na região. Amanhã será publicada a terceira e última reportagem em homenagem aos Dia dos Professores. 




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