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Herança que cobra caro

12/10/2025 | 07:01
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 A divulgação do Índice Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) de Gestão Fiscal e do Cadin (Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados) do Estado de São Paulo trouxe à tona o quadro preocupante das finanças de Santo André e São Caetano. Ambas figuram com nota zero em liquidez e estão impedidas de celebrar convênios por inadimplência em compromissos anteriores. Esses resultados, porém, não podem ser analisados de forma isolada. As atuais administrações assumiram prefeituras comprometidas por débitos acumulados e planejamento inadequado, legados por seus respectivos antecessores.

O cenário revela que parte significativa das dificuldades atuais decorre de gestões que postergaram obrigações, transferindo o desequilíbrio para os sucessores. Em Santo André, o passivo de precatórios e a elevação constante de gastos com serviços essenciais, sem repasses proporcionais da União e do Estado, reduziram a margem para investimentos e manutenção de políticas públicas. Em São Caetano, a situação não é distinta: a má liquidez e a inscrição no Cadin resultam de débitos não quitados em períodos anteriores, o que impede a obtenção de recursos e compromete a execução de programas locais. Diante disso, qualquer tentativa de reorganização fica sujeito a restrições severas.

Quando os cofres municipais já se encontram pressionados por dívidas herdadas, sobra pouco espaço para a inovação administrativa e o cumprimento pleno de promessas de campanha – algo que os prefeitos atuais tentam driblar com criatividade. Cabe à população compreender que a atual escassez de recursos não é consequência das administrações em curso. É essencial distinguir a origem dos problemas financeiros para evitar que a responsabilidade recaia injustamente sobre gestores que tentam restabelecer o equilíbrio. Ignorar essa sequência seria perpetuar um ciclo de acusações infundadas e expectativas frustradas. Antes de julgar, é preciso identificar quem de fato comprometeu o futuro das cidades.

DGABC



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