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Piscinões estão com 97% da capacidade livre para enfrentar período de chuvas

De janeiro a agosto, SP Águas removeu 1.417 caçambas de lixo e entulho dos 19 reservatórios do Grande ABC

Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
09/10/2025 | 08:13
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Entre janeiro e agosto, os piscinões do Grande ABC retiraram 16% menos sedimentos em comparação ao mesmo período de 2024, totalizando 101,3 mil m³ (1.417 caçambas de lixo), contra 121,1 mil m³ do ano anterior, segundo a SP Águas. A redução reflete tanto a menor deposição de resíduos quanto as ações preventivas da agência estadual, que atualmente mantém 97% da capacidade dos reservatórios livres para receber a temporada de chuvas, prevista entre outubro e março.

A SP Águas administra 19 piscinões em Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá, com capacidade total para reter 3,49 milhões de m³ de água. No período de janeiro de 2023 a agosto de 2025, foram retirados 397,4 mil m³ de sedimentos, e o número de caçambas de detritos passou de 8.653 para 7.236. Além desses, a região conta com outros sete piscinões sob responsabilidade das prefeituras de Santo André e São Bernardo.

De acordo com o arquiteto e urbanista Enio Moro Júnior, gestor do curso de Arquitetura e Urbanismo da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), a diminuição de resíduos é positiva, mas deve ser acompanhada de uma reflexão sobre o modelo de drenagem adotado no Estado. “O sistema de piscinões é funcional, mas parte de um princípio equivocado, em vez de absorver a água onde ela é gerada, conduzimos grandes volumes até áreas mais baixas. Isso resolve momentaneamente o problema, mas cria uma cidade impermeabilizada e com baixo aproveitamento urbano”, afirma.

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Moro ressalta que a concepção atual privilegia estruturas de grande porte e alto custo, como os piscinões, em detrimento de alternativas de drenagem natural. “Poderíamos trabalhar com jardins de chuva e pisos drenantes, que retêm a água localmente e reduzem o impacto ambiental. São soluções mais sustentáveis e integradas à paisagem urbana”, explica.

Outro ponto destacado pelo docente é a natureza do material retirado durante as limpezas. Parte significativa dos resíduos é composta por terra e detritos trazidos pelo assoreamento dos rios, mas há também lixo urbano e substâncias potencialmente contaminantes. “Como os rios que alimentam os piscinões são poluídos, há concentração de elementos químicos pesados. É essencial que o descarte desse material seja feito em locais adequados, após análise técnica. Jogar em aterros comuns seria uma irresponsabilidade ambiental”, alerta.

As operações de desassoreamento, capinagem e manutenção de bombas são realizadas de uma a duas vezes por ano, conforme cronograma técnico. Segundo a SP Águas, não houve necessidade de intervenções emergenciais neste ano por conta das ações preventivas.

Para o professor da USCS, o desafio está em tornar o sistema de drenagem mais eficiente e ambientalmente equilibrado diante das mudanças climáticas. “As chuvas estão cada vez mais intensas e concentradas. Se o dimensionamento dos piscinões não considerar esse novo cenário, o risco é termos estruturas insuficientes para conter o volume de água”, aponta.

Moro defende que o poder público adote políticas permanentes e preventivas. “Hoje, agimos de forma corretiva, esperamos a enchente para intervir. É preciso investir em soluções constantes, de baixo custo e que tragam ganhos urbanos, como áreas verdes e calçadas drenantes. Isso é o que vai preparar de fato as cidades para o futuro”, conclui.

AÇÕES DAS PREFEITURAS 

As prefeituras do Grande ABC intensificaram as ações de manutenção e prevenção em seus sistemas de drenagem urbana para reduzir os impactos das chuvas previstas para os próximos meses. As medidas incluem limpeza e monitoramento de piscinões, manutenção de bombas e estações elevatórias e execução de obras estruturais.

Em São Bernardo, a gestão municipal informou que a manutenção dos sistemas de controle de inundação, que incluem piscinões, pôlder e estações elevatórias, é contínua e contempla modalidades preventivas e corretivas, realizadas conforme necessidade técnica. 

Em São Caetano, está em execução a construção de um novo piscinão na Rua Ceará, no Bairro Fundação, com capacidade de 18,8 mil m³ de água. A intervenção faz parte do programa Drenar e integra o maior conjunto de obras de combate às enchentes já realizado na cidade.

A Prefeitura de Diadema afirmou que acompanha os serviços executados nos reservatórios e mantém comunicação com o órgão estadual responsável para relatar eventuais problemas técnicos que possam surgir durante o período de chuvas.

Já em Santo André, as ações são programadas com base em vistorias técnicas e incluem capina, roçada, remoção de sedimentos, desobstrução de canaletas, grades e comportas, além de manutenção das estruturas de retenção. Essas atividades são reforçadas no período que antecede a estação chuvosa, dentro do POCV (Plano de Operação Chuvas de Verão).

Jaboticabal chega a 80% das obras

Até julho de 2025, o Governo do Estado, por meio da SP Águas (Agência de Águas de São Paulo), investiu R$ 476 milhões nas obras do Piscinão Jaboticabal. Com 80% de execução física, a entrega do equipamento está prevista para dezembro, após sucessivos adiamentos. A construção, iniciada no fim de 2021, tinha conclusão programada para o primeiro semestre de 2023, mas enfrentou atrasos que postergaram o cronograma em quase dois anos.

Segundo o governo do Estado, o andamento da intervenção foi afetado pelas desapropriações necessárias para a implantação do empreendimento. A autorização judicial para a desapropriação da última área ocorreu em fevereiro deste ano, 26 meses após o início dos trabalhos.

Embora reconheça a importância do Jaboticabal na mitigação de enchentes, o professor Ênio Moro Júnior, gestor do curso de Arquitetura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), faz críticas ao modelo adotado. “Hidrologicamente, ele funciona, mas ambientalmente é de uma agressividade muito grande. O piscinão é uma bacia impermeabilizada, uma grande área concretada que recolhe a água e depois precisa de bombeamento a diesel para devolvê-la ao rio. É uma solução funcional, mas urbanisticamente inadequada”, afirma.

Segundo o especialista, o modelo atual parte de um princípio equivocado: conduzir grandes volumes de água até áreas baixas, em vez de promover a absorção nos pontos onde as chuvas ocorrem.




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