Metanol Beto Moreira participou de reunião na Câmara de São Bernardo e defendeu punição a quem falsifica bebidas, mas pediu cautela para não penalizar comerciantes sérios
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), Beto Moreira, participou na manhã desta segunda-feira (6) da reunião da Comissão Especial da Câmara de São Bernardo sobre a crise das bebidas adulteradas com metanol. O dirigente destacou que o setor foi surpreendido pela gravidade dos casos e defendeu uma resposta firme contra falsificadores, sem prejudicar bares e restaurantes que atuam legalmente.
“É um fato muito novo e muito triste. Acredito que não seja um problema de produção, mas de adulteração. Quem fabrica bebida falsificada está no anonimato”, afirmou Moreira.
Segundo ele, a orientação do sindicato é para que os consumidores mantenham o hábito de frequentar apenas estabelecimentos de confiança. “Tem que continuar consumindo, mas onde você sempre consumiu, onde confia, onde já foi outras vezes. O problema está nas bebidas vendidas em locais improvisados, sem procedência, como os chamados ‘esquentas’ nas ruas”, alertou.
As falas do presidente do Sehal vão na contramão das recomendações do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do secretário de Saúde de São Bernardo, Jean Gorinchteyn, que orientaram a população a não consumir bebidas destiladas, como vodca, gim e uísque, até que a origem das contaminações seja esclarecida.
Moreira disse ainda que o impacto da crise já é sentido no comércio, com queda de até 80% nas vendas de bebidas destiladas em todo o Estado, segundo relatos de representantes do setor. “O bom comerciante também foi vítima. Bar e restaurante não produzem bebida, eles revendem. De certa forma, somos consumidores também”, afirmou.
O presidente do Sehal reforçou que o sindicato tem atuado de forma preventiva, emitindo notas orientativas para os empresários do setor. Entre as recomendações estão comprar apenas de distribuidores oficiais, guardar notas fiscais, verificar lacres e embalagens, destruir garrafas e rótulos após o consumo e denunciar qualquer suspeita de comércio ilegal às autoridades.
Em São Bernardo, a Vigilância Epidemiológica contabiliza 56 notificações de intoxicação por metanol, sendo uma confirmação laboratorial, cinco óbitos e 51 pacientes atendidos na rede pública e privada de saúde. Entre as vítimas fatais estão homens de 36, 38, 45, 49 e 58 anos. Todos os exames passam por análise do IML (Instituto Médico Legal) para confirmar a contaminação.
Em âmbito nacional, o Ministério da Saúde confirmou 225 registros de intoxicação por metanol, sendo 16 casos confirmados e cinco mortes. Os demais 209 casos ainda estão sob investigação em 13 estados.
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