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Fila para transplante de órgãos da região cresce 88% em 2 anos

Número aumentou de 2.700 em 2023 para 5.082 neste ano; tempo de espera depende de compatibilidade entre doadores e receptores

28/09/2025 | 08:39
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Amanda Reis, 37 anos, se prepara para receber um rim de seu pai e se libertar da hemodiálise FOTO: André Henriques/DGABC
Amanda Reis, 37 anos, se prepara para receber um rim de seu pai e se libertar da hemodiálise FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


No Grande ABC, 5.082 pessoas estão na fila de espera por um transplante de órgão, número que cresceu 88% em dois anos, já que, em setembro de 2023, havia 2.700. A estimativa é do Ipes (Instituto Paulista de Educação em Saúde), que há 15 anos luta pela causa, tema da campanha Setembro Verde, que reforça a importância da doação de órgãos e tecidos.

De acordo com o coordenador do Centro de Transplante de Órgãos do Estado de São Paulo, Francisco de Assis Salomão Monteiro, a velocidade da fila, única por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), não segue ordem de chegada, e sim por compatibilidade. A legislação brasileira determina que cabe à família autorizar a doação dos órgãos do ente que teve morte encefálica, porém, apenas 55% aceitam. “Para que as doações aumentem, é necessário que mais pessoas se tornem doadoras.” 

A dona de casa de São Bernardo Maria Carmen Zara Coronado, 73 anos, há 30 dias realizou o tão aguardado transplante de rim, após longos cinco anos de espera, o qual chegou na hora certa, pois o órgão dava sinais de que não aguentaria mais. Mesmo sem conhecer a identidade do doador, que é mantida sob sigilo, ela diz ser imensamente grata à família pelo ‘sim’ que salvou sua vida. 

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“Faço tratamento desde 1988 e há seis anos passo por hemodiálise. É um sofrimento ficar na máquina. A gente espera todo dia por um órgão, por isso é tão importante a doação. É uma emoção muito grande recebê-lo, porque não podia comer e beber nada, tinha muita restrição, e agora é vida nova”, comemora. 

Moradora de Santo André, Amanda Brito dos Reis, 37, está prestes a sentir a mesma felicidade. Ela aguarda um transplante de rim desde 2021. Diabética desde a infância, enfrentou uma série de conse-quências da doença. 

“Além dos rins, perdi a visão do olho esquerdo. Quando completei 30 anos, começou toda a saga de correr contra o tempo. Consegui salvar o olho direito e fiz uma dieta para segurar o máximo que pudesse a hemodiálise, iniciada em 2020”, relata Amanda, que é aposentada devido às suas limitações. 

A sonhada liberdade virá graças a seu pai, Rinaldo Tavares dos Reis, 57, que doará um de seus rins. Eles estão se preparando há seis meses. “Vamos ter que esperar um pouco devido a alguns controles. Ele precisa perder peso e eu controlar a diabetes”, conta. “Preciso de uma qualidade de vida melhor. Tendo a função do rim de volta, não precisarei da hemodiálise e serei mais livre. Hoje tenho dificuldade para sair de casa sozinha, dependo sempre de alguém para me acompanhar.”

Fundadora do Ipes, Wilma Maria de Moraes, 67, trabalha para que todos os pacientes do Grande ABC possam ter a oportunidade de Amanda e Maria Carmen de ter uma nova chance. “A doação de órgãos é um ato de amor. Um dia, quando as minhas pétalas caírem, gostaria de transferir todo meu perfume para outras flores”, diz sobre o legado que quer deixar. 

Durante sua trajetória de trabalho, o instituto, que realiza palestras, seminários, oficinas pedagógicas e rodas de conversas, além de auxiliar no encaminhamento à fila de transplante e trâmites necessários, atendeu, desde sua fundação, em 2010, cerca de 5.000 pessoas.

Governo quer ampliar doação para 90%

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou, na última quinta-feira (25) o novo Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes, que muda as regras para remoção de órgãos e tecidos. O objetivo é diminuir para 10% – hoje em 45% – a recusa familiar na autorização para doação.

O coordenador do Centro de Transplante de Órgãos do Estado de São Paulo, Francisco de Assis Salomão Monteiro, explica que mesmo uma pessoa manifestando o desejo de ser doadora, é necessário ter a permissão da família. “Mas informar os familiares sobre o desejo pode ajudar a diminuir a resistência”, afirma.

Um indivíduo pode salvar até oito vidas. “Muitas vezes perdemos doadores em potencial. Os parentes acham que vamos deformar seu ente. O corpo é reconstituído e o velório feito de caixão aberto. É importante ressaltar isso para conscientizar as pessoas”, destaca.

Em todo o País, 47 mil pessoas esperam por um transplante. Em São Paulo, a fila soma 26.819 indivíduos. No primeiro semestre deste ano, o Brasil realizou 14.904 transplantes, crescimento de 21% em três anos. 




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