Sindpesp Categoria solicita reunião com governador e mais investimentos na instituição policial
FOTO: Agência Brasil

O assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo e morador de São Caetano, Ruy Ferraz Fontes, 63 anos, levou o Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) a intensificar a cobrança por medidas concretas de valorização e proteção da categoria. O diretor da entidade, Edson Pinheiro, afirmou que a execução de Fontes simboliza uma agressão direta às forças de segurança e reforça a sensação de insegurança que atinge não apenas os policiais, mas toda a sociedade.
Para o sindicato, a morte da autoridade policial, ocorrida no último dia 15, em Praia Grande, expõe a vulnerabilidade dos agentes que enfrentam as facções e a forma precária pela qual são tratados pelo governo estadual. “O significado dessa morte demonstra uma clara agressão a todo o sentimento de segurança, todo o respeito que as instituições merecem. Intensifica essa sensação de insegurança que toda a população está submetida”, declarou Pinheiro.
Segundo o Sindpesp, a execução evidencia a ausência de uma política séria de segurança pública no Estado. A entidade critica a ênfase somente no policiamento ostensivo, considerado insuficiente para conter o avanço das facções. “Hoje vemos apenas um investimento em policiamento preventivo, mas não há estratégia voltada para o enfrentamento real do crime organizado. Falta investigação, tecnologia e inteligência”, disse o diretor.
Na avaliação da entidade, essa lacuna permite que organizações criminosas se fortaleçam, ampliem sua influência e se infiltrem em setores cada vez mais amplos da sociedade, incluindo economia formal e até segmentos políticos. “Quando não há investimento em investigação e inteligência, fortalece-se o crime organizado e gera-se mais violência”, afirmou.
Outro ponto levantado é a vulnerabilidade dos agentes, tanto da ativa quanto aposentados. Pinheiro destacou que o policial “se acostuma a conviver com o medo”, o que não deveria ser natural. Ele lembra que prisões de criminosos de alto risco expõem os investigadores a ameaças, sem que exista suporte adequado do Estado.
“Prender criminosos de alto risco envolve inevitavelmente um risco de vida. Mas quando avançamos no combate às organizações, vemos sinais trágicos como o caso do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes”, afirmou.
Diante desse quadro, o Sindpesp protocolou um pedido de reunião urgente com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A entidade pretende discutir medidas de proteção para policiais, ativos e aposentados, além de cobrar a valorização da Polícia Civil.
Entre os pontos listados, estão a necessidade de implementação da nova Lei Orgânica da instituição, melhores condições de trabalho, salários dignos e o fortalecimento da investigação como pilar da segurança pública. O sindicato também critica a falta de transparência na elaboração da lei, que tramita há meses sem participação efetiva das entidades representativas.
Apesar do ofício, o governo respondeu apenas que as demandas “estão em análise” e alegou que ainda não foi possível marcar um encontro com o governador por conta de sua agenda.
O ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes foi morto a tiros em Praia Grande, na noite de 15 de setembro. Segundo a Polícia Civil, o carro dele foi perseguido por criminosos e colidiu com um ônibus antes de ser alvejado. Fontes tinha histórico de enfrentamento ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e, em 2019, foi jurado de morte por Marcola, líder da facção.
Graduado em Direito pela Faculdade de São Bernardo e com mais de 40 anos de carreira na Polícia Civil, Ruy exercia o cargo de secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande quando foi morto.
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