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Reserva em Ribeirão Pires dá nova chance à fauna

Projeto, que nasceu como sonho de família, acolhe 82 animais nativos de 20 espécies em área protegida

Leticia Generali
Espcial para o Diário
21/09/2025 | 21:20
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em Ribeirão Pires, animais de todo o Brasil que não podem voltar à natureza encontram um lar cheio de cuidado e histórias curiosas. Foi assim que começou a Reserva RP, ONG (Organização Não Governamental) dedicada à preservação da fauna silvestre, fundada em 2018 pelo médico veterinário Celso Gatti, 26 anos. O primeiro habitante foi uma Arara-canindé, e hoje o espaço abriga 82 animais de 20 espécies diferentes, entre tucanos, araras, tamanduá, quatis, jaguatiricas e até onças-pardas.

“Somos uma mantenedora de fauna, que é um tipo de empreendimento regularizado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), para receber animais que não podem voltar para a natureza por algum motivo. A ideia de um mantenedor é dar uma segunda chance para os animais que seriam, por exemplo, eutanasiados ou não teriam para onde ir. Aqui, eles recebem um novo lar”, explica o fundador Celso Gatti.

O trabalho da ONG vai além do acolhimento. A Reserva RP funciona como centro de educação ambiental, onde realiza atividades educacionais remuneradas com estudantes de veterinária e biologia e também com pessoas interessadas em aprender sobre cuidados com animais silvestres, o impacto do tráfico e os desafios da preservação. Apesar de as oficinas serem voltadas aos profissionais da área, o espaço não é aberto ao público para visitação. 

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Entre as histórias mais curiosas do abrigo, está a do Ronco, um macaco bugio que se tornou uma espécie de ponto turístico de Ribeirão Pires por gostar de ‘roncar’ durante cultos religiosos. Há ainda casos de animais apreendidos ilegalmente, como a quati Kika ou as araras-macau, que vieram de São Bernardo, longe de seu habitat amazônico.

Outro exemplo é a Chica, também um macaco bugio, criada desde filhote em lares humanos. Por estar acostumada com a presença constante de pessoas, ela não desenvolveu habilidades básicas de sobrevivência na natureza.

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“Esse comportamento impede que ela retorne ao seu habitat natural, pois ela vai atrás do próximo ser humano, e nem todos são bem-intencionados. A Chica não sabe buscar seu próprio alimento nem evitar predadores, por isso acaba sendo extremamente dócil”, explica o veterinário, ressaltando a necessidade de um cuidado constante e cuidadoso com esses animais.

RECURSOS 

Manter a reserva não é uma tarefa fácil. Segundo o fundador, o gasto mensal é em torno de R$ 8.500, para obras, alimentação, limpeza, medicamentos e demais cuidados necessários. Apesar disso, Celso Gatti consegue sustentar o projeto por meio de doações, oficinas e visitas técnicas para profissionais, estudantes e interessados, além de contar com seu próprio esforço – ele mantém três empregos para viabilizar a ONG – e o suporte de uma funcionária. O espaço também tem recebido estagiários voluntários, com uma seleção bastante disputada: no último processo seletivo, foram mais de 300 inscrições.

O futuro da Reserva RP inclui novos recintos, que já estão em construção, para espécies ameaçadas, como tamanduá-bandeira e lobo-guará, além da chegada da espécie mão-pelada (guaxinim brasileiro), comum na região, contribuindo para o PAN (Planos de Ação Nacional) voltados à conservação da fauna brasileira.

Além disso, recentemente, a ONG recebeu um Tucano-de-peito-branco, transferido do Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres) do Ibama em Manaus. A ave foi transportada gratuitamente pela companhia área Latam.

UM SONHO

Com 30 mil metros de terreno, dos quais 30% são áreas protegidas, a Reserva RP começou de um sonho. Antes, o que era apenas uma moradia, se tornou um projeto que abriga, ensina e preserva a fauna silvestre. 

“Foi um sonho meu e do meu pai, há sete anos, morávamos na chácara, então pensamos, vamos usar o nosso espaço para alguma coisa legal, para alguma coisa boa, e aí optamos por receber animais silvestres. Começamos juntos esse projeto. Infelizmente veio a Covid-19 e meu pai faleceu, e eu continuei o sonho sozinho, sem ele. No começo foi bem difícil, porque é muito gasto, muita coisa, estava me formando na faculdade, então foi um caos, mas hoje, graças a Deus, está tudo estabelecido”, relatou.

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