Editorial A decisão do governo norte-americano de impor tarifas de até 50% aos produtos brasileiros afeta diretamente setores estratégicos do Grande ABC, em especial máquinas, cobre e armamentos. O que era desconfiança se materializou, conforme mostra reportagem publicada nesta edição do Diário. O recuo de 24,6% nas exportações regionais para os Estados Unidos em agosto revela o impacto imediato do tarifaço, que deve se acentuar nos próximos meses, já que parte das vendas foi antecipada antes da medida entrar em vigor. Embora o peso dos embarques para o mercado norte-americano represente parcela reduzida da pauta exportadora, os prejuízos para empresas mais dependentes dessa relação comercial são relevantes e não podem ser ignorados.
Eis questão que deve ser debatida com prioridade pelas lideranças das sete cidades. Diante desse cenário, torna-se necessário que União, Estado e municípios articulem políticas para ampliar a presença internacional dos produtos do Grande ABC. A diversificação dos destinos comerciais é a alternativa que resta. Argentina, Chile e México já absorvem fatia considerável da produção regional. A abertura de novas frentes, porém, demanda negociações diplomáticas, investimentos em promoção e estímulo à inovação, a fim de aumentar a competitividade. O esforço coletivo de diferentes instâncias de governo pode reduzir a vulnerabilidade a choques externos e garantir maior estabilidade às empresas locais, preservando o dinamismo da economia regional – e a soberania do País.
Além da ação estatal, o envolvimento do setor privado é indispensável para transformar desafio em oportunidade. A busca por novos compradores pode impulsionar a economia das sete cidades e preservar empregos. Também é essencial ampliar a cooperação com câmaras de comércio, federações empresariais e instituições de pesquisa, que podem oferecer informações estratégicas para a prospecção de clientes. A conjuntura exige coordenação: quanto mais ampla for a rede de parcerias internacionais, menor será a dependência de medidas unilaterais como a adotada pelo presidente Donald Trump. Mobilizar-se para diversificar mercados é, portanto, caminho estratégico para que o Grande ABC enfrente o tarifaço e fortaleça sua inserção global.
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