Ex-hospital Movimento ligado ao partido tomou há uma semana prédio de antiga unidade de saúde no Centro
FOTO: Denis Maciel/DGABC

O presidente nacional da UP (Unidade Popular), Leonardo Péricles, candidato derrotado ao Palácio do Planalto nas eleições gerais de 2022, estaria por trás da invasão a prédio particular de um antigo hospital no Centro de Diadema. O imóvel foi tomado por integrantes do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) no último dia 7, data em que era celebrada a Independência do Brasil.
Léo, como é conhecido o político e ativista social, foi flagrado pela reportagem no edifício localizado entre a Avenida Alda e a Rua Oriente Monti. Ele estava acompanhado de outra liderança do partido. Selma Maria de Almeida. A analista de sistemas concorreu ao Legislativo de Mauá no ano passado. A chapa na cidade era encabeçada por Amanda Bispo, que disputou a Prefeitura, mas acabou derrotada.
As ligações político-partidárias, no entanto, também aparecem entrelaçadas com a invasão a um imóvel particular ocorrida em novembro do ano passado, na Rua José Benedetti, uma área nobre de São Caetano. Laura Passarella Carajoinas, uma das lideranças da chamada Ocupação Alceri Gomes, do Movimento Olga Benário, é membro ativa da executiva nacional da UP. A reintegração de posse do imóvel ocorreu em março, após a Justiça autorizar uso da força policial.
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Laura, herdeira de família tradicional e rica de Mai-riporã, apesar de endossar e participar de invasões, chegou a processar a própria tia para que ela pagasse aluguel de um imóvel. O processo segue com tramitação prioritária no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).
As informações de filiação partidária foram confirmadas nesta sexta-feira (12) por meio de plataforma pública do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Juntas, Amanda e Laura participaram e deram apoio ao movimento de invasores de São Caetano.
A correlação entre os grupos com a UP é confirmada pelo próprio partido político em seu site oficial. O MLB é “construído por vários movimentos sociais independentes que lutavam e se organizavam em trabalhos diversos, como o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, a União da Juventude Rebelião, o Movimento de Mulheres Olga Benário e o Movimento Luta de Classes”.
O envolvimento de lideranças políticas em invasões pode gerar consequências nas esferas criminal e eleitoral. “Se o suposto crime comum gerar condenação criminal transitada em julgado ou por órgão colegiado, pode haver inelegibilidade (Lei da Ficha Limpa – LC 64/90, art. 1º, I, “e”) e consequentemente indeferimento do registro de candidatura”, explicou a advogada especialista em Direito Eleitoral Graziele Azevedo.
Péricles, Amanda e Selma, podem responder pelos crime de incitação a invasão de propriedade (artigo 286, do Código Penal).
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