Dia do Programador Faculdades da região registraram alta na busca por formações ligadas à tecnologia
FOTO: Arquivo Pessoal

Celebrado em 13 de setembro, o Dia do Programador, ressalta uma profissão que está ganhando cada vez mais espaço no Grande ABC. A data, que homenageia profissionais fundamentais para o avanço da tecnologia, coincide com um cenário de forte crescimento na procura por cursos de TI nas instituições de ensino superior da região. Dados da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) apontam um aumento de mais de 300% na procura pelas graduações de tecnologia nos últimos quatro anos. Atualmente, o curso de ADS (Análise e Desenvolvimento de Sistemas) é o segundo mais procurado, atrás somente do curso de Medicina. Para efeito de comparação, em 2023, a USCS teve 652 candidatos para as vagas de ADS e 269 para Ciência da Computação, já em 2025, 1.104 e 467 respectivamente.
Na avaliação de Cilene Aparecida Mainente, docente há mais de 20 anos e gestora do curso de ADS da USCS, o movimento recente comprova a valorização da carreira no mercado e a forte demanda por profissionais qualificados. “Cursos como ADS, Ciência da Computação, Cibersegurança e Gestão da Tecnologia da Informação têm se destacado pela alta procura, justamente por essa exigência do mercado, e a tendência é que se mantenha assim”, relata Cilene. Além dos jovens que acabam de sair do ensino médio, há uma presença crescente de profissionais em busca de transição de carreira, interessados em recolocação e ascensão. “Essa diversidade de perfis enriquece muito as turmas, pois promove a troca de experiências entre estudantes em diferentes momentos da vida e da carreira”, completa.
A gestora também destaca a importância das chamadas “soft skills” no processo formativo. “Além das competências técnicas, é indispensável a capacidade de aprender continuamente, já que a tecnologia muda muito rápido. Também valorizamos o raciocínio lógico, a comunicação, a colaboração em equipe e a atenção à ética digital. A programação é central, mas o profissional precisa ser completo para atender às demandas do mercado”, explica Cilene.
Na UFABC (Universidade Federal do ABC) os números de alunos de TI não param de subir, atualmente, 712 estudantes estão matriculados no Bacharelado em Ciência da Computação, 169 alunos a mais do que em relação a 2020, o que seria suficiente para formar quatro novas turmas. Já a FEI (Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros), em São Bernardo, lançou recentemente novos cursos como Ciência de Dados e Inteligência Artificial, que receberam avaliação máxima do MEC, refletindo a demanda do mercado por formações mais atualizadas. LEIA MAIS: São Caetano tem superávit de 800 vagas na educação
Entre os estudantes, a programação aparece não apenas como um campo técnico, mas também como uma ferramenta de criatividade. Para Fernando Milani Venerando, 21 anos, aluno do 8º semestre de Ciência da Computação na FEI, o aprendizado abre novas possibilidades a cada disciplina. “Tudo o que você faz no dia a dia pode ter ligação com a programação. Quanto mais você aprende, mais percebe que o leque criativo aumenta, e chega a parecer infinito, por isso acredito que todos deveriam conhecer pelo menos o básico de como a programação funciona”, afirma Milani. Além das aulas, Fernando também destaca a importância da experiência prática para se aproximar do mercado. Atualmente, ele é estagiário em desenvolvimento de software com Kotlin (uma linguagem de programação), o que considera fundamental para a sua formação. “Tive meu primeiro contato em uma aulinha de robótica no ensino fundamental, e agora no estágio eu consigo aplicar o que aprendo na faculdade, e, ao mesmo tempo, adquirir novas habilidades. É uma chance de aprender muito e ainda agregar bastante ao currículo”, comenta o estudante. Já para Vitor Hugo Colpo Fiorenza, 22 anos, formado em ADS pela Fatec São Caetano, o interesse nasceu ainda na infância, desmontando computadores e testando programas. No curso, encontrou desafios, mas também satisfação. “É divertido quando algo que você está quebrando a cabeça para desenvolver dá certo. Eu sempre gostei da parte visual, então o front end me chamava muito a atenção, mas é importante ressaltar, não é uma área só de glamour, é mentalmente desgastante e exige dedicação. Vi muita gente entrando só por dinheiro e desistindo”, relata Fiorenza. O recém-formado também avalia que o setor continua promissor, mas alerta para a competitividade crescente. “Durante a pandemia houve um ‘boom’ muito grande na área de TI, mas com tanta gente querendo entrar, os requisitos aumentaram e a concorrência ficou mais complicada. Ainda existem oportunidades, mas é preciso estar preparado para se destacar”, observa Vitor. Os especialistas destacam que o mercado segue aquecido, mas cada vez mais competitivo. Se por um lado há oportunidades, por outro as exigências aumentam, exigindo constante atualização. “A Indústria 4.0 trouxe a necessidade de profissionais com pensamento analítico, visão multidisciplinar e domínio de tecnologias emergentes. Já a Indústria 5.0 fala da colaboração entre humanos e máquinas, exigindo também criatividade e foco em sustentabilidade”, observa Cilene. Apesar dos desafios, a perspectiva é positiva. “A tendência é que a procura continue em alta. As empresas ainda têm muito espaço para avançar na transformação digital e seguem ampliando os investimentos em tecnologia. Por isso, acreditamos que os cursos continuarão em destaque, especialmente em regiões como o Grande ABC, que têm grande dinamismo econômico”, conclui a docente da USCS.
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