Economia Titulo Relação comercial

Comércio Brasil-EUA desacelera após sobretaxas impostas por Trump

As vendas brasileiras para os EUA totalizaram US$ 26,6 bilhões no acumulado do ano, alta de 1,6% em relação a 2024 e novo recorde para o período

11/09/2025 | 08:48
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FOTO: Agência Brasil/Official White House Photo by Daniel Torok Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos começa a perder ritmo após a imposição de sobretaxas por parte do governo americano. Dados do Monitor do Comércio BR-EUA, divulgado pela Amcham Brasil, mostram que a corrente de comércio bilateral somou US$ 56,6 bilhões entre janeiro e agosto, mas os números de agosto indicam forte inflexão no desempenho.

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Exportações em queda

As vendas brasileiras para os EUA totalizaram US$ 26,6 bilhões no acumulado do ano, alta de 1,6% em relação a 2024 e novo recorde para o período. No entanto, em agosto houve retração de 18,5%, puxada principalmente pelos produtos atingidos pelas tarifas adicionais.

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Itens diretamente sujeitos às sobretaxas despencaram 22,4% no mês. Já os produtos fora do escopo das medidas tiveram queda mais moderada, de 7,1% em agosto e de 10,3% no acumulado do ano, em grande parte pela redução da demanda norte-americana por petróleo e derivados.

Entre os setores mais afetados estão óleos combustíveis de petróleo (-16,1%), celulose (-15,7%) e semiacabados de ferro e aço (-9,8%). Em contrapartida, segmentos como carne bovina (+93,4%), café (+33%) e aeronaves (+11,2%) registraram forte crescimento, mostrando resiliência em meio ao cenário de incertezas.

Importações desaceleram

Do lado das importações brasileiras, o efeito das sobretaxas também aparece, sobretudo em setores dependentes da indústria americana, como carvão mineral, essencial para a siderurgia nacional.

As compras do Brasil de produtos dos EUA somaram US$ 30 bilhões até agosto, avanço de 11,4% sobre o ano anterior. Mas o ritmo de crescimento perdeu força: depois de altas superiores a 18% em junho e julho, o aumento caiu para apenas 4,6% em agosto, sinalizando perda de dinamismo nas trocas bilaterais.

“A forte desaceleração no ritmo das importações brasileiras vindas dos EUA sinaliza um efeito indireto das tarifas, reflexo do alto grau de integração e de comércio intrafirma entre as duas maiores economias das Américas”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

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Superávit americano cresce

Enquanto o déficit comercial global dos EUA aumentou 22,4% no acumulado do ano, alcançando US$ 809,3 bilhões, o Brasil aparece na contramão. O superávit norte-americano no comércio com os brasileiros chegou a US$ 3,4 bilhões entre janeiro e agosto, salto de 355% em relação ao mesmo período de 2024.




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