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Tarcísio procura se firmar junto ao eleitor mais radical, dizem especialistas

Cientistas políticos colocam governador como herdeiro do espólio de Jair Bolsonaro na disputa presidencial em 2026

Bruno Coelho
10/09/2025 | 08:09
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FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Com olhar voltado à direita bolsonarista, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) decidiu adotar uma postura mais dura contra o STF (Supremo Tribunal Federal), principalmente ao ministro Alexandre de Moraes, e entrar na linha de frente pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo analistas políticos, a estratégia do republicano pode ser uma evidência da pretensão política de trocar o Palácio dos Bandeirantes pelo do Planalto, mas esse trajeto exige, antes, atrair a direita mais radical.

Em entrevista exclusiva ao Diário no dia 29 de agosto, Tarcísio negou a intenção de se candidatar a presidente para a eleição de 2026, mas afirmou categoricamente que seu primeiro ato, no comando da Nação, seria conceder indulto a Bolsonaro. Entretanto, mesmo com a negativa de colocar o nome à disputa pelo Planalto, as ações do governador sugerem o contrário. Logo depois, o republicano esteve em Brasília, para articular o avanço do projeto de lei da anistia no Congresso Nacional, assim atraindo setores bolsonaristas. 

Cientista Político da UFABC (Universidade Federal do ABC), Diego Sanches Corrêa enxerga Tarcísio como um possível herdeiro do espólio político de Bolsonaro, apesar da resistência de apoiadores do ex-presidente. Entretanto, o professor avaliou que para consolidar uma candidatura ao governo federal, o republicano precisa antes fincar a sua bandeira na extrema direita, cenário ainda não consolidado. Somente depois dessa etapa, o governador buscaria unificar a direita em geral ao atrair os eleitores mais moderados. 

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“Acho que para se colocar como presidenciável viável, a primeira coisa que o Tarcísio precisa é conquistar o bolsonarista mais raiz. Quando os candidatos forem definidos e caso ele venha a ser candidato de fato, conseguindo segurar uma direita não fragmentada, aí vai precisar conquistar o eleitor moderado. Então, a estratégia que Tarcísio precisa para se viabilizar como presidenciável é uma. A estratégia que precisa para ganhar a eleição é bem diferente”, pontuou o docente.

Esse cenário se casa com a manifestação do 7 de setembro por grupos bolsonaristas na Avenida Paulista, em São Paulo, quando Tarcísio subiu o tom contra o STF, que julga Bolsonaro como líder da trama golpista e já tem dois votos a favor pela condenação (leia mais na página 4). A postura do governador agradou até o filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que está nos Estados Unidos, depois de criticar o republicano em ocasiões anteriores pela possível disputa pela herança eleitoral do pai.

De acordo com o professor de Ciência Política da UFABC, Ricardo Ceneviva, o governador se posiciona como herdeiro operacional do bolsonarismo, motivo pelo qual elevou o tom ao STF. Os ataques dos filhos Eduardo e Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro, segundo o docente, geram um custo reputacional entre os bolsonaristas e a incerteza sobre um endosso final. Mesmo assim, o especialista afirma que Tarcísio mantém forças pela disputa presidencial.

“Entre a direita moderada, a radicalização e a defesa pela anistia tendem a afastar o governador de parte do (eleitorado de) centro não-petista. Pesquisas que circulam na imprensa indicam maioria contra a anistia, o que eleva risco de rejeição nesse segmento. Mas ainda assim, em cenário binário contra o PT (em um caso de segundo turno), o cálculo é que o antipetismo compense perdas”, considerou Ceneviva.

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Entre líderes bolsonaristas no Grande ABC, a palavra de ordem é manter Bolsonaro como o nome para a presidência na eleição de 2026. Vereador por São Bernardo, Luiz Henrique Watanabe (PRTB) afirmou que em meio à guerra política pela anistia e contra o STF, o nome do ex-presidente não pode ser descartado. “Ele tem histórico. Fez as estatais voltarem a funcionar, trouxe o superávit para a economia, enfrentou as pautas de inversão de valores, e pagou esse preço”, disse.

Da mesma cidade e defensora ferrenha do ex-presidente, a vereadora Nina Braga (PL) não cogita outro nome no momento. “Não considero o nome do Tarcísio para presidente. O nome para presidente em 2026 é Jair Bolsonaro. Tenho certeza que iremos aprovar uma anistia ampla, geral e irrestrita após esse julgamento político. Em Mauá, o parlamentar Mazinho (PL) segue a mesma linha: “Para mim, o candidato (à presidência) continua sendo sempre Bolsonaro. E se não for ele, será quem ele disser”.




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