Julgamento General é acusado de ajudar o ex-presidente a elaborar e difundir mensagens contra a segurança das urnas eletrônicas.
FOTO: Gustavo Moreno/STF

O advogado Matheus Milanez, defesa do general e do ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), utilizou nesta quarta-feira (03), como um de seus argumentos na sustentação oral a relação entre o general e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que teriam se afastado a partir da metade final do mandato de Bolsonaro.
Como um tipo de evidência, Milanez apresentou aos ministros diversos recortes de reportagens que foram veiculadas na imprensa sobre o afastamento da relação entre Heleno e Bolsonaro. O advogado afirma que uns dos fatores para o esfriamento na relação se deu pela aproximação de Bolsonaro ao Centrão.
"O general Heleno foi uma figura política importante, tanto para a eleição quanto para o governo. Mas este afastamento é comprovado. Este afastamento da cúpula decisória. E por mais que tenha que o Ministério Público fale: 'Ah, mas o afastamento não foi completo'. Mas é óbvio, se fosse completo, ele teria saído do governo", afirmou Milanez.
General Heleno é acusado de ajudar o ex-presidente a elaborar e difundir mensagens contra a segurança das urnas eletrônicas.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) afirma que o ex-ministro teve papel direto na construção do plano que arquitetava uma tentativa de golpe de estado. Além disso, relatam que Heleno possuía conhecimento em relação a chamada “Abin paralela”, que tinha como objetivo espionar ilegalmente, para benefício de Bolsonaro.
Os documentos apreendidos tinham informações que Heleno ajudava e orientava o ex-presidente a deixar de cumprir as decisões do STF.
Posterior ao advogado de Augusto Heleno, supostamente entrará a defesa de Bolsonaro, que terá, assim como todas as outras defesas, uma hora para defesa. Em sequência, virá os advogados Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.
Depois das falas das defesas, iniciam-se os votos dos ministros, que devem ficar para a próxima sessão, na terça-feira (9)
Horários e onde assistir
As sessões acontecem durante os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro. Às quartas-feiras, dias 3 e 10, as sessões serão somente no período matutino, das 9h às 12h. Nos outros dias, serão no período matutino e vespertino, das 9h às 12h e das 14h às 19h.
A TV Justiça realizará a transmissão ao vivo do julgamento através do seu canal no Youtube.
Como funcionará o julgamento?
O julgamento teve início nesta terça-feira (2), às 9h, com a leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes, documento que continha todas as etapas passadas do processo judicial da arquitetação golpista, além de detalhar as acusações que foram feitas pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
Logo depois, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, iniciou sua fala, em que terá até duas horas para defender as acusações e trazer argumentos e evidências que sejam favoráveis à condenação dos réus.
Posteriormente, cada um dos advogados de defesa dos acusados terão uma hora para argumentar e defender a absolvição de seus clientes. Vale ressaltar que a defesa de Mauro Cid teve voz primeiro, por ter sido o delator no processo.
O ministro segue a mesma ordem que tem feito em outras ocasiões, chamando as defesas por ordem alfabética de réus. Nesse caso, a defesa de Bolsonaro será a 6ª a ser ouvida. Essa etapa deve ocupar duas sessões nesta semana.
Encerrando as manifestações, Moraes iniciará às votações das questões preliminares, que normalmente são pedidos de defesa que tem objetivo de verificar se o processo pode ou deve continuar. O ministro terá duas opções: decidir sozinho ou colocar os pedidos para votação de todos os ministros.
Em seguida, é passado à análise do mérito, o julgamento em si. Moraes deve ser o primeiro a ler o voto. Se for a favor da condenação, é de responsabilidade do ministro sugerir uma pena aos réus.
Depois, os outros ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin devem votar, seguindo essa ordem. Além disso, eles podem argumentar e justificar seu voto, ou dizer se compreendem ou não as escolhas de Moraes.
Se três voltarem a favor da condenação, a decisão já estará tomada, contendo a maioria. O resultado final do julgamento será anunciado pelo presidente da Primeira Turma Cristiano Zanin.
No entanto, se acusados, as defesas podem recorrer, o tipo de recurso varia, porque depende do resultado. Mesmo que seja condenado, Bolsonaro não deve sair preso do julgamento, pois a pena só começará a ser executada depois que acabarem as possibilidades de recurso.
Réus e crimes
Além do ex-presidente, os integrantes do “núcleo crucial” serão o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ); ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, o almirante Almir Garnier Santos; ex-comandante da Marinha, Anderson Torres; ex-ministro da Justiça, o general da reserva Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, e o também general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.
O grupo de oito réus responde por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Entretanto, Alexandre Ramagem teve a acusação de dois crimes suspensa pela Câmara dos Deputados, ou seja, ele só responderá pelos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada.
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