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Analistas avaliam que Tarcísio se lançou ao Planalto ao falar com 'Diário'

Comentaristas dizem que, embora tenha negado, governador dá largada à sucessão de Lula em 2026

01/09/2025 | 22:03
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FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Analistas políticos avaliam que a entrevista concedida pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na sexta-feira ao Diário marcou o lançamento extraoficial de sua candidatura à Presidência da República em 2026. Embora o republicano tenha descartado a possibilidade, a defesa do indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi interpretada como aceno claro aos eleitores de direita, que ficaram órfãos desde que a Justiça declarou a inelegibilidade do liberal.

A jornalista Andréia Sadi disse que o chefe do Executivo paulista deixou claro que colocará seu nome à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outubro do ano que vem. “Ele põe pra fora o que a gente vem falando aqui que está rolando nos bastidores já há algumas semanas. Considero que é Tarcísio assumindo que é candidato”, declarou a comentarista de bastidores políticos da GloboNews.

O também jornalista Reinaldo Azevedo argumentou que a negativa à candidatura presidencial foi mais protocolar do que de fato expressou o desejo do governador. “Tarcísio afirmou que seu primeiro ato, se eleito presidente, será conceder o indulto a Jair Bolsonaro – e, pois, entende-se, a todos os golpistas condenados, sempre sustentando, claro!, que pretende se candidatar à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes para crença de quase ninguém”, escreveu o comentarista no portal UOL.

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Em entrevista exclusiva a jornalistas do Diário na tarde da última sexta-feira, Tarcísio foi perguntado sobre o que pensa do instituto do indulto e se ele considerava a hipótese de concedê-lo ao ex-presidente caso fosse eleito presidente. “Na hora. Primeiro ato. Porque eu acho que tudo isso que está acontecendo é absolutamente desarrazoado”, respondeu o governador.

Para Andréia Sadi, a rapidez do governador expôs sua real intenção. “Nunca tinha visto de uma forma tão enfática. A pergunta é: ‘Se o senhor fosse presidente, o que o senhor faria?’ Ele poderia ter respondido: ‘Mas eu não sou candidato’. Tem várias formas de responder. Não vi nenhum tipo de escorregada. Ele é firme, enfático, dizendo: ‘Claro, daria indulto assim, assado’, comentou a jornalista.

Os principais jornais do País também consideram que a entrevista do governador ao Diário consolida s nacionalização do discurso de Tarcísio. O Globo, do Rio de Janeiro, informou que a conversa do republicano com o jornal faz parte dos “movimentos por candidatura ao Planalto em 2026”.

O jornal fluminense revelou que Tarcísio recebeu aval do próprio Jair Bolsonaro para falar como pré-candidato. A anuência teria sido concedida na visita que o governador fez ao ex-presidente, que está em prisão domiciliar em Brasília, no dia 7 de agosto.

À repórter Luísa Marzullo, do Globo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, confirmou a “sintonia” entre o pai e o governador paulista, mas evitou antecipar qualquer definição sobre candidatura à Presidência.

“Eu e Tarcísio estamos nos falando com frequência e nosso foco agora é a aprovação da anistia. Todos os movimentos dele são na direção de ajudar o País a retomar alguma normalidade. Há consenso entre várias lideranças de que o primeiro passo é a anistia, e Tarcísio tem sido essencial nessa articulação”, declarou Flávio Bolsonaro ao jornal fluminense.

Tarcísio foi questionado pelo Diário sobre o teor da conversa com Jair Bolsonaro no encontro em Brasília no início do mês passado e confirmou que falaram sobre a possibilidade de anistia, mas não citou nada sobre eventual candidatura à Presidência.

“São conversas de amigos. Gosto do presidente. Vi o presidente, apesar de tudo o que está passando, sereno. O presidente tem uma fortaleza intelectual, moral, impressionante. Qualquer outra pessoa no lugar dele estaria triste, prostrada, e não é o caso. Conversamos sobre a situação dele, sobre o que a gente pretende fazer. Temos falado com os partidos. Acredito muito nesta saída política, via Congresso”, declarou Tarcísio.

Segundo o governador, anistias foram concedidas em “todas” as revoltas desde o período colonial, com exceção da Inconfidência Mineira, em 1789, quando o principal líder, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, terminou enforcado.

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