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SindSaúde pressiona Prefeitura de São Bernardo por mesa de negociação

Servidores estão há nove anos sem dissídio e o de 2025 ainda não saiu; sindicato protocolou pedido de abertura de diálogo

29/08/2025 | 05:04
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FOTO: Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O SindSaúde ABC (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Saúde Privada e Filantrópica do Grande ABC) protocolou, ontem, documento oficial na Prefeitura de São Bernardo solicitando à prefeita interina, Jessica Cormick (Avante), a abertura de uma mesa de negociações para tratar do dissídio deste ano referente aos servidores da saúde vinculados à FUABC (Fundação do ABC), entidade responsável pela gestão do setor no município.

Além da pauta referente ao reajuste atual, o sindicato cobra o pagamento dos dissídios acumulados dos últimos nove anos, que não foram quitados. Outro ponto fundamental da reivindicação é a apresentação de um plano concreto para o fim da escala 6x1. A categoria propõe a criação de uma mesa permanente de negociação com a participação do governo municipal, da FUABC, do sindicato e de uma comissão de trabalhadores. O objetivo é discutir e resolver de forma contínua os problemas enfrentados no dia a dia das unidades de saúde, garantindo melhores condições de trabalho para a categoria. 

Ontem, um grupo de cerca de 150 trabalhadores da saúde, apoiados pelo SindSaúde e outros dez sindicatos, realizou manifestação que começou em frente ao HU (Hospital de Urgência) e seguiu até a Prefeitura, onde o presidente do sindicato da categoria, Almir Rogério da Silva, o Mizito, protocolou o documento. 

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O secretário de Saúde da cidade, Jean Gorinchteyn, que acompanhou parte da manifestação em frente ao HU, criticou a postura do sindicato em relação ao ato e afirmou que se reuniu com a categoria para construção de proposta conjunta. “É um direito dos trabalhadores terem dissídio. Precisamos compor com eles. Nosso compromisso é com os trabalhadores e é dessa maneira que vamos construir (uma solução)”, destacou o secretário. 

Mizito confirmou as reuniões, mas não a tentativa de negociação. “Fomos chamados, mas não apresentaram proposta formal. Queriam que o sindicato não apoiasse este ato. O que se tem é uma negociação no TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho), porque a Fundação tentou mudar o sindicato patronal. Tentou tirar o direito dos trabalhadores e não permitimos isso. A manifestação está acontecendo porque os trabalhadores estão indignados com os nove anos de descaso e cobrando a promessa que foi feita pelo prefeito Marcelo Lima (Podemos) de que iria pagar o dissídio dos trabalhadores a partir de janeiro. Então, esperamos esse período para ele conhecer a Prefeitura. Mas estourou agora e os trabalhadores não aguentam mais”, disse o sindicalista. 

Mizito afirmou ainda que o sindicato vai entrar com representação junto ao TRT-SP solicitando que os trabalhadores das residências terapêuticas recebam pelo menos o salário mínimo. Além disso, a entidade quer que seja determinada, via Justiça, estabilidade para os servidores que participaram da manifestação. 

Maria José Pereira dos Santos é funcionária da Fundação e trabalha em uma residência terapêutica. “O nosso salário de cuidador é de R$ 1.360. Isso é uma vergonha. Tenho 57 anos e o que ganho mal dá para comprar remédio”, afirmou. 

A Prefeitura reforçou que mantém negociação contínua com a direção do sindicato. “Recente reunião na FUABC, envolvendo os três prefeitos e três secretários de Saúde de Santo André, São Bernardo e São Caetano, iniciou as tratativas para apresentação conjunta da proposta de dissídio de 2025. O acumulado é um passivo que as cidades buscam equalizar, considerando a realidade financeira, a necessidade de manutenção dos serviços, mas sempre tendo como norte que esse é um direito dos trabalhadores”, disse o governo municipal em nota.

“Infelizmente, fica um jogando para o outro e ninguém faz igual gente grande. Sentar todos os entes com o sindicato. Se reúnem lá e falam: ‘temos isso para vocês, se quiserem tudo bem, se não quiserem, pronto e acabou’. Esse não é um processo de negociação. O processo de negociação é sentar todo mundo, construir a coisa e trazer para os trabalhadores aprovarem”, disse Mizito. 

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