Sem horário definido Estratégia já adotada desde a crise hídrica de 2014 deve afetar locais mais altos e afastados; Sabesp não informa horário em que a medida será implementada
FOTO: Arquivo/DGABC

A redução no abastecimento de água na Região Metropolitana será realizada de forma noturna e não poderá ultrapassar o período de oito horas, conforme anúncio do governo estadual. A medida, que deve começar a valer a partir da noite de quarta-feira (27), tem como objetivo preservar os níveis críticos dos reservatórios do SIM (Sistema Integrado Metropolitano), responsável por atender as sete cidades do Grande ABC.
Devido ao período de estiagem, o racionamento noturno foi autorizado na segunda-feira (25) pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo) e consiste na redução da pressão da água durante o período noturno. A estimativa é de economia de 4 metros cúbicos por segundo até que os níveis dos mananciais sejam recuperados. Questionada pelo Diário, a Sabesp não informou os horários exatos da redução de pressão e se alguns bairros serão mais afetados do que outros.
Apesar de anunciada como temporária, a estratégia não é novidade: o corte de pressão já é adotado em períodos de estiagem desde a crise hídrica de 2014. Moradores de bairros mais altos e afastados da rede relatam que, na prática, a medida nunca deixou de ocorrer. Nestes locais, a pressão menor pode resultar em torneiras secas durante a madrugada, com retorno do abastecimento apenas no início da manhã.
Segundo a Arsesp, a prática é eficiente por ser aplicada em horário de menor consumo. “A gestão da demanda noturna ajuda a economizar água, reduz perdas e causa menos impacto para a população”, afirmou o diretor-presidente da agência, Thiago Mesquita Nunes.
Atualmente, os principais reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo registram níveis críticos. Na segunda-feira (25), o Cantareira operava com 35,9% da capacidade, o Alto Tietê com 30,5%, Rio Claro com 23,2% e Rio Grande com 59,2% — este último responsável por atender 1,2 milhão de pessoas em Santo André, São Bernardo e Diadema.
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Outras medidas
Além da redução, a Arsesp também solicita à Sabesp que apresente um Plano de Contingência específico para a Região Metropolitana de São Paulo, a ser elaborado sob coordenação da agência e em cooperação técnica com a SP Águas. A evolução destas ações será acompanhada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística e pela Defesa Civil no âmbito do Comitê Gestor da Política Estadual de Mudanças Climáticas.
De acordo com o Protocolo de Escassez Hídrica do Estado, a Região Metropolitana está em estado de atenção, quando os mananciais têm entre 30% e 40% do volume útil. Se os índices caírem para a faixa de 20% a 30%, será decretado o estágio crítico.
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