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Síndrome nefrótica: entenda a condição que afeta os rins e o corpo

Especialista explica como essa doença silenciosa afeta milhares de brasileiros e pode levar à insuficiência renal irreversível quando não tratada

20/08/2025 | 16:41
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FOTO: Freepik Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O que parece ser apenas uma "retenção de líquido" pode mascarar sintomas relacionados à síndrome nefrótica, um distúrbio renal caracterizado pela perda excessiva de proteína na urina, condição que pode evoluir para insuficiência renal crônica se não for diagnosticada e tratada precocemente. Tema que ganhou destaque após o cantor Junior Lima usar as suas redes sociais para falar sobre o assunto após a sua filha de 3 anos ser diagnosticada com está condição.

Embora não seja tão conhecida, afeta os rins, estruturas essenciais para a filtragem do sangue, levando à eliminação de proteínas importantes para o corpo. Levando a um conjunto de sinais e sintomas que incluem inchaço generalizado, especialmente ao redor dos olhos, tornozelos e pés, além de urina espumosa devido à alta concentração de proteínas e, frequentemente, aumento do colesterol. Em crianças, a causa mais comum é a "doença de lesões mínimas", que geralmente responde bem ao tratamento, enquanto em adultos, pode ser secundária a outras condições como diabetes ou lúpus.

"O que torna esta síndrome particularmente preocupante é sua capacidade de progredir insidiosamente. Muitos pacientes procuram ajuda médica apenas quando os sintomas já estão avançados", explica David Saitovitch, chefe do Serviço de Nefrologia e coordenador do Grupo de Transplante Renal do Hospital Moinhos de Vento.

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Embora seja mais comum em crianças de 2 e 6 anos, a Síndrome Nefrótica não escolhe idade. Adultos também podem desenvolvê-la, especialmente pessoas com diabetes, lúpus ou outras doenças autoimunes. No Brasil, estima-se que milhares de pessoas convivam com a condição sem saber, atribuindo os sintomas iniciais a causas menos preocupantes. "Importante ressaltar que, com o tratamento correto, a maioria dos casos pode ser controlada efetivamente, preservando a função renal e permitindo que os pacientes tenham uma vida normal", destaca o especialista. "No entanto, quando o diagnóstico é tardio, podemos estar diante de danos renais irreversíveis."

Quais são os sinais de alerta que não devem ser ignorados?

Inchaço persistente no rosto, especialmente ao redor dos olhos, principalmente pela manhã

Inchaço nas pernas, tornozelos e pés que não melhora com repouso

Urina espumosa ou com aparência leitosa

Ganho de peso súbito e inexplicável

Fadiga e fraqueza constantes

Perda de apetite

Diagnóstico e tratamento

Para um diagnóstico preciso da síndrome nefrótica é imprescindível exames laboratoriais especializados de urina e sangue, biópsia renal, ultrassonografia dos rins e teste genético – em casos de suspeita de causas hereditárias, especialmente em recém-nascidos e bebês - atrelado a um acompanhamento multidisciplinar. "Nosso protocolo integrado permite não só um diagnóstico mais assertivo, mas também a identificação da causa subjacente, o que é fundamental para o tratamento direcionado", explica o nefrologista.

 

O tratamento pode incluir medicamentos imunossupressores, corticosteroides, controle rigoroso da pressão arterial e modificações dietéticas específicas. "Cada paciente recebe um plano terapêutico personalizado, considerando a idade, causa da síndrome e resposta individual ao tratamento", complementa.

 

Um futuro de esperança para pacientes e familiares

Com o avanço das terapias e o diagnóstico precoce, o prognóstico da Síndrome Nefrótica tem melhorado significativamente. Crianças com a forma mais comum da doença têm taxa de remissão de até 90% quando tratadas adequadamente. Em adultos, embora o tratamento possa ser mais desafiador, a estabilização da função renal e o controle dos sintomas são objetivos alcançáveis na maioria dos casos.

 

"Queremos que as famílias saibam que existe esperança. A Síndrome Nefrótica, quando diagnosticada precocemente, não precisa ser uma sentença de vida limitada. Com o tratamento correto, nossos pacientes retomam suas atividades normais e mantêm qualidade de vida", afirma o médico.

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