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Infância sob ameaça

18/08/2025 | 08:50
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC, é óbvio, não está imune à exploração sexual infantil por meio da internet. Reportagem desta edição do Diário mostra que foram registrados 42 episódios nas sete cidades. O alerta feito pelo influenciador Felca, somado às manifestações de autoridades sobre a necessidade de regulamentar as grandes plataformas digitais, reforça a urgência de um enfrentamento coordenado contra a chamada adultização. O acesso cada vez mais precoce das crianças ao ambiente virtual exige não apenas vigilância familiar, mas também mecanismos legais que responsabilizem empresas de tecnologia pela circulação de conteúdos e pela ausência de filtros eficazes. O Brasil ainda engatinha nesse debate.

Combater a adultização significa fortalecer as redes de proteção social. Experiências já em curso em Estados como Ceará e Paraná, onde escolas desenvolveram programas de orientação digital junto a pais e alunos, mostram que a conscientização pode reduzir riscos e ampliar a capacidade de denúncia. Além disso, o avanço de tecnologias de monitoramento e inteligência artificial pode auxiliar na identificação de perfis suspeitos, desde que aliado a legislação que garanta rapidez na retirada de conteúdos e punição a responsáveis. Esse caminho não se resume a punir, mas também a construir uma cultura de respeito à infância e de uso responsável das ferramentas digitais, como aliás, já ocorre mundo afora.

O tema exige mobilização ampla. Não basta esperar a atuação das autoridades: famílias, escolas, empresas e organizações da sociedade civil precisam se comprometer com a proteção integral de crianças e adolescentes. Esse movimento inclui supervisionar o tempo de tela, dialogar sobre os riscos e, sobretudo, denunciar situações de exploração sempre que houver indícios. Já passou da hora de o Brasil tratar a adultização como um problema coletivo e não como responsabilidade isolada de um setor. Somente a partir desse engajamento conjunto será possível reduzir a vulnerabilidade dos mais jovens e assegurar que o ambiente digital se torne espaço de aprendizado e convivência, e não de violência.

DGABC

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