Pesquisa Pesquisador do Ipea diz que números devem crescer com a disseminação do mototáxi
FOTO: Bruno Coelho | DGABC

O número de mortes no trânsito nas sete cidades envolvendo motocicletas cresceu 66% em seis anos, de acordo com levantamento feito pelo Diário com base nos dados do InfoSiga, monitoramento do governo estadual gerenciado pelo Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo). Foram registradas 63 vítimas fatais de janeiro a junho de 2025 e 38 no mesmo período de 2020. Os números deste ano representam metade do total de óbitos (128) no trânsito da região. Nestes seis anos, o Grande ABC somou 290 mortes que envolveram motos. (Veja dados na tabela acima)
O veículo tem se mostrado potencialmente letal e a utilização dele como serviço de transporte, por meio dos mototáxis, como é realizado desde 2020, preocupa autoridades e especialistas. De acordo com o Atlas da Violência 2025, produzido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, “o usuário da motocicleta é, atualmente, a maior vítima dos sinistros de trânsito no Brasil”. O técnico de pesquisa e planejamento do instituto, Erivelton Guedes, afirmou ontem, em entrevista à Agência Brasil, que a disseminação dos serviços de mototáxi contribuirá para um aumento ainda maior das mortes. “É uma tragédia anunciada”, declarou.
O advogado especialista em trânsito e ex-policial rodoviário André Gomes Bertucci avalia que o aumento da procura por este tipo de trabalho deve ampliar ainda mais a quantidade de acidentes e mortes. “A disputa pelo espaço, o trânsito entre as faixas e a pressa para conseguir fazer mais viagens são alguns fatores que contribuem para a alta nos casos. Também podemos citar que o aumento de veículos, a falta de educação no trânsito e o preparo inadequado dos motociclistas devem explodir o número de acidentes e mortes”, afirmou.
O caso mais recente no Grande ABC aconteceu no fim de junho, em São Bernardo. Guilherme Morais Cruz, 18 anos, morreu enquanto se locomovia por um mototáxi. O motorista Henrique Pavan, 27, veio a óbito no início do mesmo mês, após sofrer um grave acidente enquanto pilotava uma motocicleta durante a realização de uma corrida por aplicativo.
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NÃO RESOLVE
Em fevereiro, o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC decidiu criar um grupo de trabalho para discutir a utilização do mototáxi em âmbito regional, mas, até o momento, não há definição sobre o projeto. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sancionou, em 24 de junho, lei que determina que esse tipo de serviço só poderá ser prestado mediante autorização e regulamentação por parte dos municípios. Na região, as discussões seguem travadas pela falta do grupo de trabalho específico.
Para André Gomes Bertucci, a regulamentação não resolve a questão, pelo contrário, incentiva e gera a falsa sensação de segurança. “As regras devem fazer com que aumente ainda mais a procura por este tipo de serviço, ampliando o número de acidentes e mortes”, acrescentou André Bertucci.
Questionadas, as empresas que oferecem serviços de transporte por aplicativo, Uber e 99, não responderam até o fechamento desta edição.
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