Política Titulo Artigo

O Brasil e o tarifaço dos EUA

Jarbas Thaunahy Santos de Almeida
30/07/2025 | 08:22
Compartilhar notícia
 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 A decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de até 50% sobre produtos estratégicos brasileiros, com vigência prevista para 1º de agosto, gerou forte reação do setor produtivo e do governo brasileiro. A medida atinge cadeias relevantes de exportação, como aço, alumínio, petróleo e café, e reacende o debate sobre a dependência de mercados sujeitos a políticas comerciais unilaterais.

No campo político-diplomático, o Brasil tem adotado uma postura ativa. O vice-presidente Geraldo Alckmin lidera tratativas com representantes do comércio americano, buscando amenizar os impactos e negociar exceções setoriais. Paralelamente, o Itamaraty intensificou a atuação em Washington por meio da embaixada e canais técnicos, pressionando por diálogo e alertando para os prejuízos bilaterais. Nos EUA, setores industriais e importadores que dependem do insumo brasileiro também demonstram preocupação. Grupos econômicos têm articulado com parlamentares, especialmente em estados exportadores e agrícolas, alertando para o risco de disrupção nas cadeias e possíveis retaliações brasileiras.

Há ainda uma resposta estratégica no campo multilateral. À frente da presidência dos Brics+, o Brasil estuda alternativas como a diversificação de mercados e o uso de moedas locais, buscando reduzir a exposição a decisões unilaterais. O discurso oficial sinaliza a urgência de fortalecer a soberania comercial e a independência cambial diante de um cenário internacional volátil.

DGABC

O episódio transcende um embate bilateral. É reflexo da fragilidade das regras do comércio global em um ambiente geopolítico marcado por tensões e protecionismo crescente. A decisão dos EUA é interpretada como instrumento político e econômico que pressiona países em desenvolvimento a redefinir estratégias e alianças.

No Grande ABC, tradicional polo metalúrgico e automotivo, os reflexos da medida já afetam projeções de produção e exportação. Empresas ligadas à cadeia do aço demonstram preocupação com a manutenção de contratos e novos investimentos. A elevação de tarifas sobre aço e alumínio, produtos-chave da indústria regional, acende o alerta para o risco de retração industrial e perda de competitividade internacional. Segundo estudo do Dieese, a região exportou cerca de US$ 750 milhões aos EUA apenas no primeiro semestre de 2025, sendo 78% em produtos metalúrgicos, especialmente aço e ferro, itens que já vinham sofrendo com sobretaxas anteriores. Diante desse cenário, sindicatos e entidades empresariais pressionam por medidas de proteção e incentivos fiscais regionais, temendo a desaceleração econômica local.

Enquanto as negociações seguem em curso, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar a defesa de seus interesses com o pragmatismo diplomático. O desfecho será decisivo para os rumos da política comercial brasileira e a inserção do País nas cadeias globais de valor.

Jarbas Thaunahy Santos de Almeida é professor de finanças da Strong Business School.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;