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Controlador e choro antes da prisão: o que vizinhos falam sobre o padrasto

Admilson Ferreira dos Santos, 52, confessou ter envenenado o enteado Lucas da Silva Santos, 19, que morreu no dia 20; ele também é investigado por abuso sexual

Thainá Lana
Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
25/07/2025 | 10:53
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


“Ele chorou e disse que era mentira”; “O menino era dominado por ele”; “Escondi uma faca caso ele tentasse me estuprar.” As falas ouvidas pelo Diário, na quinta-feira (24) em São Bernardo, ajudam a desenhar a imagem de Admilson Ferreira dos Santos, 52 anos. O homem confessou que envenenou com chumbinho o enteado Lucas da Silva Santos, 19, que morreu no último domingo (20), após oito dias de internação no HU (Hospital de Urgência). 

Antes de se tornar o principal suspeito do homicídio e ter seu nome e imagem vinculados em todo País, Admilson era visto por alguns moradores como alguém tranquilo e reservado. Já outros vizinhos o descrevem como uma pessoa com traços de controle e dominação, especialmente sobre o enteado.  Morador há cerca de cinco anos do bairro Alvarenga, ele dividia o imóvel com a esposa, Rosemeire da Silva, 53, Lucas e o irmão mais novo do rapaz, Thiago da Silva Santos, 17.

“Foi uma surpresa para todo mundo”, contou Joelson Santana, 35, operador de máquina e morador do local há três décadas. “Primeiro achavam que era a irmã dele. Depois, ele mesmo falou para a delegada que tinha colocado o chumbinho. Ele queria tirar a própria vida, ele é meio doidão. Mas não demonstrava nada. Parecia ser bem tranquilo.”

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De acordo com os relatos, Lucas e Admilson eram frequentemente vistos juntos consertando um Fusca que mantinham na garagem da residência. “Ele vinha pedir ferramentas aqui, conversar, dar bom dia. De manhã  já estava mexendo no carro. Esperava isso de qualquer pessoa, menos dele”, diz Santana.

Lucas, por sua vez, era visto como um jovem reservado e que pedia ajuda para consertar o carro ou pegar ferramentas emprestadas. “Não dava trabalho, não fazia bagunça. Era sossegado”, completa.

Um outro vizinho, que preferiu não se identificar, também relata surpresa com o caso. “Ele era tranquilo, frequentava a mesma igreja da minha esposa. A família toda parecia muito calma.” Outro morador foi além: “O menino era dominado por ele. Muito educado, calado, mas vivia debaixo do solado dele. O padrasto controlava tudo. E ainda enganou todo mundo aqui.”

Na noite anterior à prisão, ocorrida em 16 de julho, um morador do bairro acolheu Admilson em casa. “Ele chegou e falou: ‘está sabendo de mim? Não tem nada comprovado contra mim’. Me perguntou se a vila estava contra ele e eu respondi que, pelo que eu sabia, não tinha ninguém contra. Ele dormiu aqui em casa, no sofá. Mas eu não dormi a noite inteira. Escondi uma faca, caso ele tentasse me estuprar. Ele contou a história dele com o filho ( Lucas )  e começou a chorar, dizendo que era mentira (as acusações).”

O caso

O crime, segundo a Polícia Civil, teria sido motivado por ciúmes, controle e sentimento de rejeição. A delegada Liliane Doretto, responsável pela investigação, apura se Admilson mantinha uma relação abusiva com Lucas, com indícios de violência psicológica e possível abuso sexual. A investigação está em fase final e aguarda apenas a conclusão do laudo pericial para apontar oficialmente a substância utilizada no envenenamento.

Lucas foi sepultado na última terça-feira (22) e no muro do Cemitério do Carminha a pichação tinha os dizeres: “Esteja em paz, Lucas. Que a justiça seja feita.”

Admilson permanece em prisão temporária e será indiciado por homicídio consumado. Rosemeire, mãe da vítima, também é investigada por ter comprado o veneno supostamente a pedido do companheiro. Um comerciante foi preso em flagrante no dia 17 de julho e confessou vender o produto sem qualquer autorização dos órgãos competentes. Ele foi encaminhado para audiência de custódia no dia seguinte e liberado após decisão judicial.

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