Subsídio Secretário de Tarcísio de Freitas compara reciprocidade citada por Lula a ‘Davi e Golias’, dizendo que momento é de negociar e não de revide
FOTO: Reprodução Redes Sociais

Em visita nessa quarta-feira (23) ao Grande ABC, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Jorge Lima, alertou que o impacto do tarifaço de 50% imposto a produtos brasileiros nos Estados Unidos, a partir de 1º agosto, pode ser severo ao setor industrial. Para atenuar os efeitos, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou R$ 200 milhões em crédito, com juros subsidiados, a empreendedores que mantêm relações junto ao mercado norte-americano, um dos pedidos apresentados, há uma semana, pelo prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira (PSDB).
Durante agenda com empresários em Ribeirão Pires, Jorge Lima demonstrou preocupação com as medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e não recomendou a política da reciprocidade, cogitada pelo governo brasileiro. O responsável pela Pasta de Desenvolvimento Econômico citou, como exemplo, que 33,2% de toda a exportação nacional para o comércio norte-americano são oriundos de São Paulo.
“É uma situação perigosíssima para o Brasil e, principalmente, a São Paulo. O impacto pode ser violento. Então, é hora de negociar. A única coisa que conheço onde o pequeno ganhou do grande foi em ‘Davi e Golias’, porque de resto, não conheço muita vitória não. É com um gigante que teremos de negociar. Não é de igual para igual, porque somos apenas 6% da economia deles, enquanto são o nosso segundo maior parceiro comercial”, alertou o secretário.
A oito dias para o tarifaço imposto por Washington entrar em vigor, ainda não há sinais de avanços nas negociações entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a Casa Branca. Enquanto o Palácio do Planalto não descarta a política da “reciprocidade”, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), admitiu nesta semana a possibilidade de implementar medidas de apoio aos setores mais afetados, como os de suco de laranja, mel, aço e alumínio, entre outros.
Pelo Palácio dos Bandeirantes, Jorge Lima apontou que o momento não é de declarações acaloradas, sem citar nomes de figuras políticas, a fim de não jogar mais lenha na fogueira perante um cenário de cautela, ao mesmo tempo em que Tarcísio negocia com setores produtivos. “O governador soltou essa linha de crédito para ajudar, enquanto tem conversado com as empresas. Se precisar (ampliar os valores), ele é muito flexível, porque está muito preocupado. Mas dependerá da demanda, porque o impacto (da tarifa de 50% nas exportações) é grande e muito maior do que se fala”, projetou o secretário.
A liberação de linhas de créditos para socorrer empresas paulistas que exportam aos Estados Unidos e serão impactadas pelo tarifaço que passa a vigorar em 1º de agosto, próxima sexta-feira, foi um dos temas da pauta da reunião capitaneada pelo prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira (PSDB), com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), realizada no Palácio dos Bandeirantes no dia 16.
“Recebo com bons olhos o anúncio do governador Tarcísio, especialmente por vir poucos dias após nossa reunião, em que levamos as demandas da indústria nacional de pneus e reforçamos a importância de medidas emergenciais diante do impacto do tarifaço. Esse é o caminho: diálogo, sensibilidade e ação concreta para proteger quem gera emprego e renda no Brasil”, disse Gilvan, ontem, ao Diário.
Acompanhado de representantes das indústrias pneumáticas, químicas, petroquímicas, de plásticos e de cobre, cuja redução nas exportações aos EUA pode significar a dispensa de trabalhadores – apenas as de pneus estimam os cortes em 3.500 em um primeiro momento. Gilvan solicitou a ajuda de Tarcísio de Freitas para que o setor fabril no Estado consiga absorver os impactos da sobretaxa de 50% aos produtos nacionais.
Durante a conversa, foram abordados ajustes na política tributária estadual, especialmente em relação a redutores de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). “O momento exige firmeza na defesa da produção nacional”, declarou o prefeito andreense após o encontro.
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