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O que a escrita pode nos ensinar sobre nossos sentimentos?

Escritor Nelson Albuquerque Jr. comenta sobre como emoções podem ser bloqueio criativo ou combustível no processo de criação

Yuri Kumano
Especial para o Diário
23/07/2025 | 09:13
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Em dado momento você já se encontrou sem saída ao escrever, seja por algum bloqueio criativo ou outro problema externo, entretanto, é possível utilizar das próprias emoções como impulso para continuar escrevendo.

Nelson Albuquerque Jr, jornalista, escritor e instrutor de escrita criativa, de São Caetano, diz que as emoções por si só não significam nada, e o que você vai fazer com elas é realmente o que importa. “Se as emoções forem maior que o desejo de escrever, elas venceram. Mas se refletir sobre elas, você é capaz de vencê-las e, aí sim, podem se tornar combustível ou até matéria-prima para o seu trabalho criativo”, explica o jornalista.

A escrita é, antes de tudo, uma forma de expressão. Para muitos é um espaço íntimo onde as emoções mais profundas ganham vida. Mas como equilibrar o fluxo emocional com a disciplina da escrita? Nelson acredita que a disciplina é essencial.

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“A escrita como arte precisa respeitar o ritmo e o tempo de cada autor. Mas é claro que o ofício de escrever exige aprimoramento, e é só com a prática constante, o conhecimento das técnicas e a autocrítica que o seu texto vai evoluir, e cada vez mais ganhar personalidade, originalidade e criatividade”, diz o escritor.

Por fim, Albuquerque reflete sobre o poder terapêutico da escrita. Para ele, ao escrever o autor acaba por se conectar com suas próprias emoções de maneira profunda, e por muitas vezes inconsciente.

“Escrever é um processo de autoconhecimento. Ao retrabalharmos nossas emoções no texto, muitas vezes entendemos mais sobre nós mesmos”, conclui ele.

Escrever não é apenas sobre criar histórias ou transmitir ideias. É, muitas vezes, sobre olhar para dentro e através da escrita encontrar significado para o que sentimos.

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BLOQUEIO CRIATIVO

Sobre momentos de bloqueio criativo, ele compartilha. “Procuro me prevenir contra o bloqueio criativo. Pesquisar, anotar, juntar o máximo de informações e ideias possíveis, para depois planejar o texto minimamente. Com a estratégia pronta, é só escrever. E primeiro escrever sem se preocupar com a perfeição do texto, encanar com uma palavrinha pode emperrar sua fluência de ideias. Depois de pronto, sim, é essencial uma releitura, uma revisão, uma reescrita. Mas é claro que pode travar em algum momento. O bloqueio pode aparecer, mas nesse caso, na maioria das vezes, é porque estamos um pouco saturados, cheios daquela história, então é válido dar uma parada, uma volta, respirada, tomar uma água, ficar umas horas ou dias, quando possível, longe desse texto. Depois, mais leve, é muito provável que as coisas voltem a fluir.”




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