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Caso Lucas: padrasto passa por audiência de custódia e permanece preso

Admilson Ferreira dos Santos está detido temporariamente na delegacia de São Caetano desde quarta-feira (16); ele é investigado por tentativa de homicídio

Thainá Lana
Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
18/07/2025 | 12:07
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FOTO: Fábio Júnior/Especial para o Diário
FOTO: Fábio Júnior/Especial para o Diário Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O mestre de obras Admilson Ferreira dos Santos, 52 anos, suspeito de envenenar o enteado em São Bernardo, passou por audiência de custódia na quinta-feira (17) e permanece preso. Ele está detido temporariamente desde quarta-feira (16) na delegacia de São Caetano e é investigado por tentativa de homicídio qualificado. 

As investigações estão sendo conduzidas pelo 8° DP (Distrito Policial) de São Bernardo e estão em fase final. Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), durante a apuração policial surgiram novos indícios de que Admilson teria cometido crimes sexuais contra três vítimas, sendo dois enteados e uma sobrinha.  

“Todos são atualmente maiores de idade, mas relataram que os abusos ocorreram durante a infância e adolescência. Um segundo inquérito policial foi instaurado para apurar os relatos de estupro de vulnerável”, explicou a Pasta. 

DGABC

O padrasto se tornou o principal suspeito de envenenar Lucas da Silva Santos, 19, na noite de terça-feira (15), após reviravolta no caso. Inicialmente, Polícia Civil de São Bernardo investigava a irmã de Admilson, Cláudia Pereira dos Santos Daliessi, 43, por ter preparado e enviado na sexta-feira (11) bolinhos de mandioca que estariam supostamente envenenados e que teriam provocado a intoxicação no jovem. 

Porém, após série de inconsistências apresentadas pelo próprio Admilson, além de novas provas e depoimentos de familiares coletados, a delegada responsável pelo caso, Liliane Doretto, passou a considerar o padrasto como possível responsável pela tentativa de homicídio contra o enteado. A autoridade policial revelou que o investigado mantinha uma relação íntima com Lucas e que o crime teria sido motivo por ciúme. 

A mãe da vítima, Rosemeire da Silva Santos, 52,  afirmou em conversa com a delegada que sabia dos abusos, pois o acusado teria assumido para ela anos atrás. “A mãe disse que acreditava que ele era o culpado (do envenenamento), pois no dia eles (Lucas e Admilson) tinham brigado. Antes ela não conseguia falar, mas depois que os filhos denunciaram os abusos ela se sentiu mais encorajada”, revelou a autoridade policial. 

ABUSOS

Antes de ser anunciado como principal suspeito do crime pela polícia, quatro, dos sete irmãos de Lucas, compareceram na terça-feira ao 8° DP (e falaram que não descartavam a participação de Admilson, ou até mesmo autoria do crime. De acordo com os familiares, a relação com o padrasto nunca foi boa e ele possui histórico de agressão contra os enteados. 

Durante coletiva de imprensa, Doretto disse que os crimes de abuso aconteceram durante anos e que não há denúncias formais devido ao controle emocional sobre as vítimas, inclusive sobre Lucas. Além da tentativa de homicídio, os crimes de abuso sexual e violência doméstica, contra a esposa, também deverão contar no relatório final do inquérito. 

Na quarta-feira, uma sobrinha de Admilson e prima de consideração de Lucas, Nayara Pereira dos Santos, denunciou ser uma das vítimas dos abusos sexuais. Ela disse que chegou a morar com ele durante um período quando era criança e que toda a família sabia das violações, porém ninguém procurou a polícia ou qualquer outro órgão para denunciar. 

Estado de saúde

Segundo boletim médico divulgado pela Prefeitura de São Bernardo nesta sexta-feira (18), Lucas da Silva Santos apresenta sinais vitais estáveis, mas continua em coma na UTI (Unidade de Pronto Atendimento) do HU (Hospital de Urgência). 

Lucas ainda necessita de hemodiálise, mas apresentou boa tolerância ao procedimento médico que substitui a função dos rins. Desde o dia 16, o jovem está sem sedação e a Prefeitura ainda aguarda os resultados oficiais dos exames toxicológicos para saber a causa da intoxicação. O jovem está internado no hospital desde sexta-feira, quando chegou em estado grave, após atendimento inicial na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Alvarenga.

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